José A. Roque Martins Cavaco Silva iniciou ontem nesta cidade do Funchal, a sua campanha eleitoral às Presidenciais de 2011. Mentia se não vos dissesse que me sinto particularmente desconfortável no apoio a uma candidatura, que no sentido pessoal do candidato, tenho que reconhecer, não sofre qualquer contestação tendo presente as suas qualidades de estadista, honestidade, rigor, conhecimentos técnicos, capacidade de trabalho e dimensão internacional. No entanto, no exercício do seu cargo de Presidente da Republica, e em relação à Madeira, nem sempre fez cumprir o respeito pela Constituição, nomeadamente, no domínio dos direitos fundamentais, como a liberdade de expressão, o direito de opinião e a equidade de tratamento de todos os cidadãos perante a lei. Cavaco Silva não ignora, estou certo, que a Região Autónoma da Madeira vive um estado latente de asfixia democrática onde os seus cidadãos são confrontados todos os dias por um poder governativo sem regras nem limites que subjuga a sua população e que põe em causa os valores democráticos constitucionalmente estabelecidos. Perante isto, e no plano do respeito pela Constituição, como Presidente da República, não concretizou o imperativo de cumprir e fazer cumprir a Lei Fundamental da República. Todos sabemos que a política tem as suas regras e as leis que regem o jogo do poder democrático têm enquadramentos muito complexos que não se compadecem com o simples boas intenções ou proclamação ingénua de sãos princípios. Ao seguirmos de perto os mecanismos subterrâneos e expressos da campanha eleitoral, ao escutarmos as ênfases e promessas dos candidatos, sentimo-nos como que remetidos àquela velha dúvida de estarmos a colaborar num jogo que nada tem de objectivo, antes apenas esconde secretos interesses de grupos ideológicos, económicos e sociais. Neste sentido, precisamos de discernir sem dramatismo o discurso ideal, perfeito, optimizado, de palavra concreta, prosaica embora, que acompanhe o quotidiano das pessoas, das famílias e das comunidades. É preciso, pois, não entrarmos em pânico com a transfiguração quase instantânea dos discursos e comportamentos políticos na sequência das eleições, onde tudo é diferente porque o poder passa para a oposição e a oposição passa para poder. Não se pode concluir também que tudo é natural e que tanto vale a verdade como a mentira. Mas importa sempre descobrir os códigos reais que se escondem atrás dos discursos de circunstância. Há cinco anos atrás, Cavaco Silva prometia, nesta mesma cidade, não se resignar com o Estado do nosso país e da nossa democracia. A vida democrática na Região piorou substancialmente nestes últimos anos. Poderemos nós resignarmo-nos? Não está em causa o carácter, a experiencia política e o sentido de Estado do candidato Cavaco Silva que sempre apoiei e continuo a apoiar. Não podemos tolerar são leituras flexíveis dos poderes constitucionais e dos imperativos nacionais que estão na nossa origem. E não só…