No final de uma semana em que os temas políticos foram predominantes, parece-me por vezes que sou uma mera espectadora de um filme do cinema ‘noir’ ou então dos antigos ‘westerns’ protagonizados por John Wayne.

O meio político é um meio complexo, e só deve lá entrar quem tem perfil para falar e ser falado, apontar e ser apontado, opinar com razões de ser, criticar com justificações e provar, e acima de tudo, quem se ache capaz de tomar o lugar dianteiro numa situação de crise sem ter medo de dar corpo ao manifesto.

Mas a política, tal como os outros sectores da sociedade actual, não é um meio perfeito. Há falhas, há críticas avulsas, há medos, receios, palavras gaguejadas, dedos no ar e cantorias para disfarçar.

No final de uma semana, cujo início foi pautado de muitas surpresas (boas ou muito boas para uns e más, bem más, para outros), aqueles que optaram por não ter uma carreira na política devem estar satisfeitos, por não correr o risco de estar constantemente nas bocas do povo ou de outros políticos, por estar longe de brigas partidárias e por não estar presa a cores ou manifestos.

Ser político não é fácil, principalmente quando é assumido um lugar de destaque num partido ou num governo. É preciso manter a postura, é preciso não quebrar em alturas de maiores dificuldades e, acima de tudo, é preciso não ter medo de assumir os erros quando acontecem, quando são cometidos, quando afectam mais do que a esfera pessoal de cada um. A penitência é talvez a capacidade mais importante num cargo político, mas infelizmente é pouco comum e talvez por isso parece haver uma descrença, que cresce a olhos vistos, dos eleitores no sistema, nos cargos, nos partidos e nas pessoas que vestem as camisolas e as cores.

Aliás, estudos demonstram que os políticos estão entre aqueles grupos profissionais em que as pessoas menos confiam. Porque estão desempregadas, porque há cortes nos ordenados, porque a escola privada do filho corre o risco de fechar, porque as ribeiras continuam a encher e a ameaçar transbordar ou porque cresce um aterro junto à avenida.

Longe de análises a resultados eleitorais, porque tal a mim não me compete, esta não é uma altura para embandeirar em arco as percentagens e os números de votos, para dizer que se está contra este ou aquele ou fazer ultimatos, para fazer queixinhas do partido X ou Y ou utilizar os resultados para proveito disto ou daquilo, para se fazer de herói ou vítima, para vestir a capa de salvador da pátria ou colocar um sorriso falso nos lábios.

Esta é a altura para parar e pensar. Para tentar perceber porque é que mais de metade dos eleitores não foram votar e, daqueles que se deram ao trabalho de ir votar, porque é que quase duzentos mil preferiram deixar o boletim em branco. É que de filmes e personagens, estamos todos fartos.