Na sequência de procedimentos semelhantes adoptados em vários países europeus com realidades e remunerações bem diferentes dos trabalhadores Portugueses, a paradoxal e inacreditável medida de reduzir salários atenta contra o esforço, o empenho e o digno salário correlativo à riqueza que cada um produz para o país. Um misto de desanimo e revolta é o que vivênciaram muitos trabalhadores da administração publica, quando a partir do passado dia 20 de Janeiro verificaram no seu recibo de vencimento o primeiro corte nas remunerações supostamente de acordo com o artigo 19º da lei do orçamento de estado para 2011. Pois segundo informações recolhidas, os serviços em muitos casos enganaram-se na aplicação da fórmula e retroagiram na aplicação da referida lei. Ao longo dos últimos anos a mensagem que tem servido de fundamentação para efectivar estas medidas prende-se com a grave situação financeira do País, onde os sucessivos governos têm adoptado medidas sobretudo para o sector público com o objectivo de diminuir a despesa e promover o desenvolvimento. As várias medidas incidiram sobretudo nos trabalhadores, que confrontados com campanhas de vária ordem, viram congelados os salários durante vários anos, acompanhadas das alterações das carreiras, das condições de aposentação e consequentemente de toda a legislação estruturante para o sector criando um novo paradigma. Após uma década falhada, sendo incapaz de antever os reais problemas com que se debatia o País o governo na sequência dos PEC`s e com a aprovação da lei do orçamento de estado para 2011, voltou a introduzir um conjunto de regras que agravam ainda mais as condições laborais e de vida das pessoas, onde para além da redução de salários no sector público, aumenta o custo de bens e serviços, nomeadamente os serviços de saúde. Todos estamos conscientes que a situação actual se deve a opções políticas erradas, que com forte incidência em deficientes mecanismos de regulação e fiscalização determinaram o colapso do sector financeiro acarretando enormes custos para o sector público e para o País, aumentando o défice. Os Portugueses actualmente pagam mais para ter acesso á generalidade dos serviços, aos cuidados de saúde e aos medicamentos, contrariamente ao que se pretende fazer crer. As despesas com este sector têm aumentado e vão continuar a aumentar, fundamentalmente devido entre outros aspectos ao aumento da esperança de vida, ao envelhecimento da população e consequente aumento das doenças crónicas. Por outro lado a utilização de novas tecnologias e medicamentos cada vez mais eficazes e mais caros irão ser acompanhados de uma maior utilização dos serviços de saúde pelas pessoas. É indispensável uma governação mais transparente, uma melhor racionalização dos recursos e a adopção de opções políticas que privilegiem as pessoas em detrimento dos números.
Juan Carvalho, Enfermeiro