Carlos Pereira, contrariamente ao que havia desabafado recentemente - preferia não ser nomeado para a liderança da administração verde-rubra - foi reconduzido para mais um mandato como presidente do conselho de administração do Marítimo da Madeira Futebol SAD. O desabafo do presidente verde-rubro é compreensível e legítimo e, no meu entender, para além de ser um desafio ao surgimento de outras ideias, fica nas entrelinhas que este modelo de gestão tripartida do futebol profissional (C.S. Marítimo, Região Autónoma da Madeira e Privados) possa estar esgotado. É evidente que ao se tornar parceiro do Governo Regional o emblema verde-rubro passou a alvo apetecido de várias frentes para ser utilizado como arma de arremesso político. Uma situação que se torna mais apelativa quando os resultados desportivos não aparecem. Pragmaticamente, Marítimo e Nacional "levam o mesmo" de subvenção pública com a diferença dos alvi-negros serem mais autónomos na sua gestão ou, se quisermos, menos "bicados" por quem governa ou quer governar. A autocensura a que Carlos Pereira tem de se impor muitas vezes por estar "amarrado" a essa sociedade desportiva, vai desgastando um presidente que, quer se goste ou não, muito fez pelo emblema do leão Madeirense. Carlos Pereira errou muitas vezes, é verdade. É por vezes "autista" e não ouve ninguém, também é verdade. Erros que se podem justificar com a pressa de querer fazer rápido e bem, o que por vezes não é fácil. Ao dar continuidade ao mandato Carlos Pereira mostrou coragem, até porque, para além de ter compromissos assumidos, o que aparentava "bem blindado" parece, em termos jurídicos, umas das piores casas da história dos três porquinhos com lobos e coelhos a derrubá-la. Carlos Pereira quer mostrar que é com mar agitado que se encontram bons timoneiros. Quem não se lembra de Statler and Waldorf, os velhotes da série "Os Marretas" que, sentados do camarote, diziam mal de tudo e de todos mas nunca subiam ao palco.

David Sousa, Jornalista