António Ferreira Ao contrário do que se diz, o PND-M não é de direita, nem é de extrema-direita. Basta ver a plataforma onde o PND-M se insere, e o passado de militante comunista de José Manuel Coelho. Acredito que Coelho teve mérito no seu resultado eleitoral, gostei da entrevista com a Judite de Sousa, pelo menos. O discurso sibilante anti-sistema deu frutos e resultados surpreendentes que deram que pensar a muitos analistas políticos. Mas apesar dos votos populares há um paradoxo nisto tudo. O PND-M é um partido de protesto e confronto. Critica tudo e todos, e ataca a classe política de forma contundente. No fundo o discurso de Coelho é uma amplificação de conversas de café, onde todos os políticos são corruptos, incompetentes e ignorantes. Tudo bem, vamos assumir que isto é verdade. Vamos assumir que a corrupção e incompetência são transversais a toda a classe política. Assumido este ponto, sou levado a concluir que seria melhor então defender menos Estado, menos intervenção pública e menos poderes para os governantes. Aqui está o paradoxo: apesar disto, ninguém quer menos Estado, e apesar de quase toda a gente classificar negativamente a classe política, querem que esta mantenha o mesmo poder e influência. Qual serão os motivos deste paradoxo? Sinceramente não sei a resposta exacta, mas posso apontar algumas hipóteses. Vivemos numa sociedade imatura e pouco afirmativa, onde toda a gente sabe apontar o dedo, mas quase ninguém quer se comprometer nas soluções. A classe política usa o "social" para manter o povo complacente e inactivo, é a velha política romana do pão e circo, para manter o povo calado. Para terminar, existe um claro fosso na educação do povo. O nosso sistema educativo, apesar de até ter bons professores (não quero atacar nenhuma classe profissional), é uma fraude.