
Crise, austeridade, cortes, impostos, desemprego, aumentos...
As palavras são as que mais se ouvem e constituem os receios de muitos neste ano que ainda agora começou. Aliás, já antes do fogo-de-artifício e dos brindes, 2011 era visto não como uma luz no fundo de um túnel, mas mais um túnel, ainda mais longo e escuro que todos aqueles pelos quais já passamos e sobrevivemos.
Para muitos, a saudação de ‘bom ano’ ou ‘feliz ano novo’ parece não ter qualquer sabor, ou então limita-se a oferecer um travo amargo principalmente para aqueles que sentem não ter qualquer vontade de acreditar ou continuar a ser optimista perante um cenário ligeiramente tenebroso.
Nesta altura em que as passas já foram mais do que digeridas e os desejos quase esquecidos entre os muitos deveres e afazares do dia-a-dia e do regresso à rotina depois da festa, a lista de resoluções de ano novo parece perder sentido e o medo abate-se sobre nós. Felicidade, saúde, amor, trabalho… Os desejos são batidos e rebatidos, feitos e refeitos, guardados numa gaveta no fundo da alma à espera de motivos verdadeiros para sorrir.
Mas a verdade é que o dia 1 de Janeiro só se torna no princípio de mais um ciclo se nós assim o entendermos e as ameaças só se efectivarão se nós nada fizermos para evitá-las ou pelo menos para amenizar as consequências. Por isso, este ano optei não por fazer resoluções de ano de novo mas sim resoluções para a vida.
Decidi que vou votar sempre que houver eleições. Farei a escolha que achar mais conveniente e não vou deixar que os outros, os que votam ou os abstencionistas, decidam por mim. Decidi que vou fazer contas à vida mas não deixar de viver. Que vou cortar no que não interessa, nas coisas e nas pessoas que não me fazem feliz.
Decidi que vou apreciar os dias de sol e que não vou ter medo da chuva, que vou voltar aos museus que não visito há anos e que vou ter mais tempo para a cultura regional. Decidi que serei surda aos insultos e cega a atitudes que não me agradam e decidi, acima de tudo, que não vou viver ensombrada pelo medo da crise, da austeridade, dos cortes, dos impostos, do desemprego…
Afinal, se Albert Einstein, que foi e é um génio reconhecido mundialmente, já afirmava há várias décadas que é no meio de qualquer dificuldade que se encontra a oportunidade, porque é que nós, não tão génios como ele, temos simplesmente vontade de baixar os braços e deixar a corrente do pessimismo nos levar? Talvez o segredo esteja em ver a luz no fundo do túnel, mesmo que ela só esteja acesa no nosso pensamento…