James Matthew Barrie, escritor britânico, tornou-se mundialmente famoso como autor do centenário livro de aventuras de "Peter Pan". Publicado em 1911, Barrie numa extraordinária atitude mecenática, doou todos os direitos autorais de "Peter Pan", ao Great Ormond Street Hospital. Isso significa que, em cada nova encenação de uma produção da peça ou venda de um exemplar de "Peter Pan", o hospital, enquanto existir, fica mais rico. Ao longo dos anos, verificou-se que essa doação fora o presente mais valioso que aquela instituição para crianças, poderia obter. Para além de louvável, este facto mostra-nos que a entidade mecenática activa; ou seja, o patrocinador da instituição em causa, ter sido o próprio criativo e produtor cultural. Mais recorrente, é a posição contrária. Com este episódio, proponho apenas a reflexão sobre a importância da reciprocidade que a actividade mecenática pode exercer no tecido social onde se encontra inserida. Actualmente, são diminutas as empresas patrocinadoras de eventos que recorrem à Lei do Mecenato Cultural, pelo facto da pouca atractividade da mesma e consequentemente a fraca utilização deste mecanismo fiscal. Lamento que assim seja, pois coíbe o agente cultural na organização do seu evento e limita a empresa patrocinadora, não só na visibilidade da sua marca enquanto bem de consumo, mas sobretudo nos benefícios fiscais que poderia colher. Por ultimo, ganharia o público consumidor de bens culturais. Quanto ao aparelho fiscal, julgo não ter motivos de receio nas antevisões que habitualmente realiza sobre o possível recuo na sua receita, pois a actividade cultural é por si mesma geradora de economia! Por outro lado, especialistas têm vindo a apontar para a relevância da Educação e Cultura, como os caminhos para a saída da crise, por apresentarem um peso efectivo no crescimento da economia e do emprego - como ainda esta semana podemos constatar em conferência ocorrida no Funchal. Outros afirmam que estes dois pilares de civilização, podem ajudar à internacionalização da economia nacional e devem casar com áreas muito importantes e necessitadas de aposta, como o turismo. Desactualizada desde 1999 - diria mesmo estagnada no século passado - a Lei do Mecenato Cultural necessita de uma urgente revisão.
Henrique Teixeira, Director do Festival de Cinema do Funchal