"Porque motivo o futebol é um jogo símbolo de uma sociedade de massas, e não apenas um desporto", é uma pergunta de reflexão, num trabalho apresentado por Bernhard Welte, um filósofo e teólogo alemão que viveu na primeira metade do séc. XX. Recentemente, um clube português de futebol, apresentou no palco verde do jogo, uma equipa de actores que sabem pontapear o esférico, mas não falam a nossa língua: eram todos estrangeiros! Pensarão alguns dirigentes que para obter resultados, os seus clubes podem dispensar os naturais. Esses resultados serão, a médio e longo prazo, efémeros! Se o Governo, através das políticas de desenvolvimento desportivo, para melhorar física e intelectualmente os seus cidadãos, investe milhões do Orçamento de Estado, não é para os dirigentes, a seu bel-prazer, enveredar por negócios de importação e exportação de jogadores; pelo contrário, é para desenvolver, desde a infância até à idade adulta, TODOS os portugueses. Esqueceram-se do lema: Mente Sã em Corpo São? A mente dos dirigentes está doente! Senão, vejamos: na Liga Portuguesa de Futebol, em 2010-2011, com 16 equipas, apenas cinco apresentam uma maioria de atletas nacionais: Sporting, Beira-Mar, Paços de Ferreira, Vitória de Guimarães e Rio Ave. Esta Liga, disputa um campeonato com futebolistas de 38 nacionalidades estrangeiras, de entre as quais, a brasileira é a mais representada, seguida da argentina e africana. Mas, este panorama estrangeirado, não se confina, apenas, ao País. Os campeonatos europeus sofrem da mesma mazela. O Observatório de Jogadores Profissionais de Futebol, num estudo demográfico, apura e conclui: "… 30 maiores ligas dos clubes europeus têm em média 8,6 por cento de jogadores estrangeiros". Sabem os estimados leitores em que posição desse ranking surge Portugal? Em segundo lugar, logo a seguir à Inglaterra! Vêm, depois, Bélgica, Alemanha, Grécia e Rússia. Evitando exaurir o espaço e a exaustação dos números, resumo: os três clubes mais ricos - serão? -, Porto, Benfica e Sporting, têm nos seus plantéis, em maioria, brasileiros e argentinos. Mas, os clubes madeirenses não lhe ficam atrás. Reflexos desta política acéfala: os Juniores não têm acesso às equipas Seniores; o investimento dos clubes de modalidades amadoras é desperdiçado; a afluência aos estádios vai diminuindo; a chama que aquece os sócios dos clubes, apaga-se; aos clubes resta a camisola, porque os actores são estrangeiros. Resultados da política mirabolante: o futebol passou a negócio de importação e exportação - deixou de ser um desporto, como disse o filósofo, acima citado; transformou-se em jogo de interesses dos empresários e dirigentes, através de comissões, contratações e transferências de jogadores; os bons jogadores nacionais emigram para países ricos, à procura de melhores salários, condições e fama, que não adquirem no seu país. O futebol português tem que inverter o funil dos critérios.

Urbelino Ferreira, Dirigente