Miguel Ângelo Funchal, cidade minha ,cidade nossa, quando a chuva cai, ficas alagada em lençóis de água turva, e abundante, tornando as nossas ruas e estradas em autênticas ribeiras de águas mortas, onde o lameiro adormece no seu interior e ali morre! Não sei se é a natureza que assim quer, sei que estamos no tempo da chuva e do vento, dos dias cinzentos de inverno. Mas pergunto-me a mim mesmo, porque será que estes fenómenos acontecem, lembro-me do passado remoto em que essas águas, corriam sobre ribeiras e ribeiros e seguiam o seu destino, aquele destino que estava traçado, indo morrer no mar entre calhaus frios como a neve pura, alguns graúdos, outros miúdos e ali viviam num vaivém, entre ondas em pólvora que se desmanchavam na praia de areia preta, deixando um rasto de espuma salgada e viva. Mas desde aquele passado recente, refiro-me mais precisamente ao 20 de fevereiro, tudo mudou, os cidadãos da minha cidade recordam aquela catástrofe como algo traumatizante, que lhes banhou o corpo e a alma, tornando na sua mente cicatrizes que jamais irão sarar! Por tal facto, hoje em dia quando chove com mais abundância, o pânico fica patente em todos aqueles que circulam na nossa cidade, por lembranças passadas e por ver inundações nas nossas avenidas junto ao mar. O homem tem aqui a sua mão, em todos estes dramas, que abafam de choque e aflição os nossos cidadãos. Se aquele entulho que foi deitado junto ao mar, após a tragédia de 20 de fevereiro não acontecesse. Deveriam ter outra alternativa, e pensado no futuro e no inverno que aí vem! Porque o que já aconteceu após a triste tragédia, está tudo interligado com estas atitudes de despejo junto ao mar! E nós não advínhamos o futuro e a força da natureza, não sabemos o que ainda pode acontecer, porque de tragédias neste 2010,já estamos amargurados e esgotados de tanta dor e sofrimento!