Dezenas de jovens social-democratas escolhem este fim-de-semana a nova liderança. O favoritismo recai sobre José Pedro Pereira, mas são os delegados que elegem o novo presidente, que vai suceder a Vânia Jesus. Independentemente do que acontecer neste Congresso, uma coisa parece evidente: há um considerável descontentamento com a actual direcção. Mesmo que esse sinal esteja dissimulado entre ressabiamento e uma forte ambição, é claro que há muitos jovens que não se revêm na direcção de Vânia. O que pode ter tanto de injusto como de genuíno. Injusto, porque é elementar reconhecer o esforço da deputada na Assembleia da República para manter a estrutura a funcionar. No entanto, com um pé cá e outro lá, terá sido mais difícil passar essa mensagem, sobretudo internamente. O lado genuíno, se o há, revela-se no desejo de fazer melhor e, sobretudo, na vontade em acabar com as sucessões com decisão prévia. A capacidade de discussão, por mais aguerrida que seja, é sempre salutar. Sobretudo numa organização política de juventude, é determinante. Uma instituição como a JSD-M - de onde saíram políticos como Miguel de Sousa, João Cunha e Silva, Miguel Albuquerque, Medeiros Gaspar ou Jaime Filipe Ramos -, não se pode limitar a ser um centro de emprego. Não pode ser uma estrutura que confunde competências com amiguismo. Que troca convicções por carreirismo. Que se inibe de pensar para não ter de enfrentar. Antes pelo contrário. Uma juventude activa e atenta é meio caminho andado para um partido refrescar a sua mensagem e eleitorado. Seja que partido for. A campanha eleitoral interna das últimas semanas tem ainda muito para explicar. Era útil que este Congresso fosse capaz de deixar claro algumas questões, como os apoios desmedidos que terão facilitado a campanha de um dos candidatos, a desistência de outro candidato e a inesperada candidatura de Rubina Berardo. Uma nova liderança não se impõe apenas pelos meios, mas pela clareza de ideias e pela transparência dos métodos. Só assim se pode voltar aos tempos em que as organizações políticas de juventude eram verdadeiras escolas de política. Com poucos meios, mas muitas ideias. Com menos facções interesseiras, e mais divergências assumidas. Sem jogos de bastidores, mas com objectivos claros. Sem troca de projectos por favores, empregos e outras benesses. Independentemente de alguns erros de percurso, foram esses os caminhos traçados por jovens líderes nacionais como os socialistas António José Seguro e Sérgio Sousa Pinto ou os social-democratas Pedro Passos Coelho, Jorge Moreira e Carlos Coelho. O alerta que aqui se faz só por coincidência tem maior acuidade com a JSD-M, que está em Congresso. Mas é válido para todas as estruturas políticas de juventude da Madeira. A começar pela estagnada JS-M, passando pelo dinamismo recente da juventude do Bloco de Esquerda. Aos jovens, de qualquer quadrante político, e até mesmo àqueles que erradamente se dizem apolíticos, pede-se algo essencial: capacidade de pensar a Madeira.