Isto promete! 2011 arrancou com os famigerados cortes nas remunerações dos trabalha-dores da função pública, com o aumento dos impostos, da gasolina, dos bens essenciais, dos juros nos créditos habitação, sei lá que mais. Já tivemos as presidenciais, com 'coelho à caçador' e numa SAD de um clube que nasceu com o advento da república, e que se confundiu com as (reais) presidenciais. Neste caso sem nenhum coelho que tivesse saído da toca, mas com lebre a se fazer passar por coelho. Coisas giras! Promete também o futebol luso, cuja Federação teima em não aprovar os novos estatutos. Tudo porque as associações de futebol deste país, embrenhadas nos vícios e defeitos, e geridas pelos Velhos do Restelo, sentem uma enorme dificuldade em perder o poder que lhes foi conce-dido no tempo do Rei XV. É tal a obsessão por um poder caduco e tanta a senilidade mental, que nem as ameaças da UEFA e da FIFA, nem a perda dos subsídios estatais, faz mover estes senhores de um passa-do, que foi bom, mas que não deixa honra nem glória, indiferentes ao imparável curso da vida. Coisas Giras! 2011 promete a outros níveis. Perspectivam-se dificuldades para gerir a máquina do desporto regional em ano de profunda crise. Os nossos principais clubes já vão sentindo na pele os efeitos dessa crise, com algu-mas revelações que dão que pensar. E se o desporto, no caso particular o futebol, reclama para si o que o governo lhe deve, e com legitimi-dade, outros sectores da sociedade reclamam que o governo cumpra com as obrigações. Com tanta ou mais legitimidade. E os cortes nas escolas, na alimentação, na saúde? Coisas giras, ou talvez não! No meio desta amálgama, há um estádio para acabar, com a infelicidade dessas obras terem sido apanhadas em plena crise, o que vem complicando, mais ainda, o que já se si sempre foi complicado. Há lamentações públi-cas. O governo deve e não manda o dinheiro para o estádio. Nada que já não se esperasse. Por isso advi-nham-se para 2011 engenharias financeiras e políticas para terminar a obra. Mas acredita-se que mesmo contra a vontade de outros sectores da vida pública e política madeiren-se, mesmo com a demagogia do cos-tume, a Madeira não vai querer um estádio em forma de estaleiro.
Emanuel Rosa, Repórter desportivo