Mais uma vez, mais de metade dos eleitores portugueses optaram por não votar.

Mas, para aqueles que não estão emigrados, ou que se viram impedidos de exercer o seu dever cívico por estarem ausentes ou por alguma outra razão de força maior, não haverá grandes desculpas para justificar a abstenção nas eleições de ontem. Alega-se um certo desencanto pela política ou pelo estado do país, ou justifica-se com o frio que impediu o 'abandono' do quentinho do lar. Mas não há desculpa que pegue. Mais de metade dos eleitores portugueses optaram por não votar e ponto.

A verdade é que todos aqueles que simplesmente optaram por não se dar ao trabalho de ir à respectiva mesa de voto, aceitar um boletim, escolher ou não um candidato, dobrar o boletim em quatro e então inseri-lo na urna, não poderão hoje, nem nos próximos anos, quantos durar o mandato do reeleito Presidente da República, criticar o que quer que seja. Porque não ajudaram a escolher, porque não participaram num acto democrático que os nosso bisavós ou trisavós tanto lutaram para que nós hoje tivessemos uma palavra a dizer, porque simplesmente não se importaram...

É que o importante é votar, no candidato predilecto, em protesto ou 'à rebendita', branco ou nulo. O importante é usar a voz que nos deram um dia, é termos a consciência de um poder que é de todos e de cada um.

Mas ontem, uma vez mais, foi comprovado que, além dos chamados 'eleitores fantasma', quase cinco milhões de portugueses ficaram armados em estalagmites de gelo, presos ao chão de algum lugar, devido ao frio ou outra qualquer razão de força menor, e deixaram a escolha nas mãos e na consciência dos outros, dos que ignoraram o frio e o desencanto, dos que não se importaram de sair de casa num domingo de Janeiro, dos que fizeram questão em colocar uma cruz, ou várias, ou nenhuma, num boletim de voto em que estavam impressas seis fotografias, seis lemas, seis candidaturas, seis diferentes propostas para o país.

A descrença e o desencanto são maus, mas a inércia é muito pior, principalmente quando a democracia vive e sobrevive de participação e não de silêncios e abstenção.

PS: Não é que 2011 parece ser mesmo o ano do Coelho? E esta, hein?!