1- Escrevo estas palavras à medida que se abrem as urnas de voto para eleger o 20.º Presidente da República Portuguesa. Ainda sem dados, creio que o número de votantes será inferior ao de indivíduos que aproveitou o dia para passear. Há quem afirme que não vota pois não acredita na política. Contudo, este dever também não é cumprido quando falamos em assembleias-gerais dos clubes desportivos dos quais são sócios, por sua livre vontade. Estas assembleias são o órgão máximo cuja importância ressalta das competências de eleger os órgãos sociais, de apreciar os orçamentos e o Relatório e Contas. Mas esta importância teima em ser ignorada repetindo-se o mesmo cenário há anos. Nestas reuniões, o local indicado para discutir os problemas e linhas de acção, aparecem pouquíssimas pessoas (sempre as mesmas, por sinal) e apenas se legitima o que já foi decidido. 2- António Guterres, Lobo Antunes, Américo Amorim, Siza Vieira, Pinto Balsemão, Jacques Rogge e João Havelang são alguns exemplos de Honoris Causa em Portugal. Embora este seja um espaço de opinião ligado ao desporto não poderia deixar de opinar sobre a atribuição do doutoramento Honoris Causa anunciado pela UMa. Perdida nas inúmeras notícias lançadas pelo Gabinete de Imagem que invadem, constantemente, os órgãos de comunicação social, este anúncio despertou-me a atenção. Esta distinção, atribuída a personalidades de reconhecido mérito que tenham contribuído para o engrandecimento de Portugal e da Universidade em particular, vai ser proposta a Lula da Silva. Sem conhecer os custos que uma cerimónia desta natureza implica e sem perceber os critérios que estão na origem desta decisão, fico à espera do dia em que os jornais dirão que Mourinho e Ronaldo foram agraciados com esta distinção.

Andreia Nascimento, Directora de Com. da UMa