Este Sporting faz-me lembrar o actual estado da nação: teso, sem criatividade nem rumo. A falta de capacidade para liderar um projecto como o do Sporting e a crise de resultados da equipa profissional levaram José Eduardo Bettencourt a renunciar ao cargo. O demissionário presidente sportinguista é um bom gestor da banca mas não domina a área do futebol. Por isso deveria rodear-se de gente competente e capaz. Mas fez precisamente o contrário, ao contratar pessoas inexperientes e sem o perfil e capacidade para os cargos que ocupam: o director desportivo, Costinha, e o treinador, Paulo Sérgio. E o resultado foi o que se viu, gaffes, má gestão, contratações falhadas, ao ponto de já ninguém acreditar nesta equipa de futebol. O único que acredita é Paulo Sérgio. Bettencourt fez a 'mea culpa' e demitiu-se, apesar de muitos criticarem o timing, já Costinha e Paulo Sérgio continuam agarrados aos seus cargos quando o mínimo que se exigia era que fossem solidários com quem os contratou e também se demitissem. Mas enquanto o director desportivo se mantém calado, já a aberração chamada Paulo Sérgio, teve o desplante de afirmar que não se demitia, apesar de constatar que o ambiente no seio do grupo era "estranho, anormal e diferente". "Estranho, anormal e diferente" é (também) ver clubes com a grandeza do Sporting, a ter jogadores, a formar treinadores em vez de treinadores, a formar jogadores, a ter uma Academia, a formar talentos e não saber aproveitá-los, e a contratar jogadores pagos a peso de ouro e que não são mais valias. Mas, também a exemplo da nação, não há culpados. Os responsáveis são aqueles que os põem lá. No governo e no Sporting. Por isso alguém vai ter de pagar a factura da crise. Do custo de vida e de resultados.

Miguel Justino, Repórter desportivo