Duarte Caldeira Ferreira Ouvi na rádio e confirmei no DN no dia seguinte logo pela manhã, uma conferencia de imprensa dada pela Secretária do Turismo, com uns números que me deixaram de boca aberta, não só pelos próprios números, mas também pelas comparações feitas. Não há dúvida nenhuma que alguns membros do governo, se tornaram, ou contrataram peritos em números, de modo a que tenham sempre razão. É triste, mas é verdade. Eu prefiro outros números, os que me são ditos por aqueles que sentem na pele o que está a acontecer na nossa região. Comparar números com o Alentejo e com a Zona Norte do país, é novidade. Comparem-se os nossos números com os nossos dos anos anteriores. A desgraça alheia não corrige os nossos números. Senhora Secretária, saia do seu confortável gabinete e dê uma volta pelos nossos restaurantes e talvez ouça umas coisas engraçadas. Dou-lhe um exemplo fresquinho, que ouvi no Norte, no passado Domingo. Num restaurante com alguma capacidade, o cenário é este: Nos últimos anos, talvez 3 anos, perdi 75% dos clientes, ou seja, se antes tinha 1.000 ( número fictício) clientes por semana, agora tenho esse mesmo número por mês!!!!Por outro lado o valor médio por refeição, baixou em mais de 25%!!!! Faça as contas e veja o resultado. Não vou referir os preços praticados para grupos, porque esses sofreram pouca alteração, apesar de muito baixos, mas esses já não são deste ano, nem o tempo que alguns demoram a pagar, que, também, já é antigo. O mesmo poderemos dizer das chamadas lojas de artefactos e de souvenirs, que dizem estar a passar a pior crise de sempre. Mas, o receio de continuar a cair o número e qualidade dos clientes, só pedem : "oxalá este ano não seja pior". A esperança já não é de melhorar, mas sim de não piorar!!! Mas se quiser dar uma voltinha pelo Funchal, em todas as zonas de restauração, verificará que o cenário é idêntico, assim como em toda a Madeira. E, já não falamos no Porto Santo, que segundo consta já há. Há restaurantes que abandonaram a sazonalidade daquela Ilha, da maneira mais segura para os seus proprietários: fecharam definitivamente, o que significa que na época forte haverá menos restaurantes naquela zona!!! Quem ouviu ou leu os números apresentados e que não conhece a realidade, poderá pensar que o turismo na região vai muito bem, que os turistas abundam e que consomem muitos produtos regionais. Engano e brevemente teremos mais estabelecimentos, seja do que for, com excepção de farmácias, que sofrem menos a crise, a fecharem e mandar mais trabalhadores para o desemprego. Não se pode culpar só os desastres da natureza (aluviões e chuvadas, na Madeira e fumos e neves lá fora), mas também aquilo que fizemos de mal e o que não fizemos bem. Reconhecer os erros é um acto que fica bem, de humildade, que as outras pessoas gostam e até perdoam, enquanto a arrogância provoca efeitos contrários. Dizer que na Madeira o preço médio por noite foi superior ao de outras regiões no continente (diferença inferior a 3 euros), não consola ninguém. Perguntamos: os 21,21 € do mês de Novembro dá para pagar a despesa? Será que a percentagem de 40% de ocupação daquele mês inclui os hotéis que estão fechados, entre outros O Madeira Palácio e o Savoy, entre outros. Não se fala no número de turistas que diminuiu, pois se a percentagem é feita em relação aos hotéis no activo, o mesmo já não acontece com os similares, pois precisam de mais clientes. O sector turístico não é só hotelaria, mas um conjunto de actividades que se complementam: como restauração, artesanato e souvenirs, táxis e excursões internas, guias, motoristas, consumo de produtos regionais, museus, jardins, etc…. Porque razão os sócios da Associação de Promoção Turística não comparecem ás reuniões? Já procurou saber o porquê dessa desmotivação? Pelos vistos, só nos resta ter fé, esperar por algo vindo do Além, porque da terra (leia-se) Madeira, parece que a capacidade já está esgotada.