Uma a uma, as doze passas, um a um, os doze desejos e essa esperança toda ela centrada na mudança de um dígito que faz a passagem para a segunda década deste século XXI.

Os políticos e os economistas anunciam que nada de bom virá deste novo ano a estrear. Mesmo assim foi em glória que recebemos 2011. Ardemos o fogo, bebemos o champanhe, muitos vestiram o fato novo e foram dançar noite fora. Afinal, com bons ou maus prognósticos, o futuro está aí. Pode não ser o melhor, nem o mais simples, nem aquele que merecemos, ou queremos, mas a inevitabilidade do passar do tempo exige que se continue em frente.

O amanhã não pára perante o pessimismo de uns quantos, ou mesmo perante a descrença de todos. Bem ou mal, estão aí mais 365 dias para serem vividos.

Que o diga o João, o primeiro bebé a vir ao mundo na Madeira, precisamente uma hora e meia depois da entrada do novo ano. E muitas crianças foram as primeiras deste 2011 repleto de previsões pouco auspiciosas, mas, mesmo assim, incapazes de fazer parar esse inexorável passar do tempo, esse presente que rapidamente se torna passado, e esse futuro que se impõe mesmo perante a descrença mais profunda.

Num tempo de prodígios, em que não nos cansamos de dizer que esta crise não tem igual, que até a chuva e o mau tempo são fora do comum, esquecemos, demasiadas vezes, de olhar a História e de ver que o tempo não só corre ao arrepio de todas as previsões, como também se repete ao arrepio da desmemória colectiva.

2011 poderá não ser um ano fácil, mas a vida, essa, não acaba com o oscilar dos mercados. Nunca acabou. Por isso, o melhor que temos a fazer é levantar a cabeça e seguir em frente. Aguentar o embate e não morrer antes do tempo. Até porque o tempo não morre. Passa... E a nós só nos resta duas hipóteses: ou matar o tempo (sempre em sentido figurado como coisa não real), ou viver o tempo (sempre de forma real)

A crise está aí, é verdade, parece não haver como negá-la. Mas a vida também. E, apesar da crise, vamos continuar a ver nascer o sol, a cair a chuva, a ver nascer o João e todos os outros. Vamos continuar a amar, a odiar, a esquecer, a lembrar... a viver. Até que, novamente, vamos vestir o fato novo, comer doze passas, fazer doze desejos, beber champanhe e arder o fogo... Bom Ano!