André Martins O país está moribundo porque a TV em massa e os jornais não conseguem explicar quase nada, justamente porque explicar o inexplicável tornou-se uma tarefa diária dos nossos órgãos de informação.

Imagine o leitor, que, após um fatigante dia de trabalho, chega a casa, e instala-se onfortavelmente no sofá para ver as notícias, e o que vê?

Todos os canais televisivos a debaterem as consequências de um país com uma realidade cada vez mais sombria, invadido por um sentimento de frustração social e sistematicamente amedrontado pela classe política através de uma propaganda ideológica em que os interesses sociais são suplantados pelos interesses de certos poderes instituídos.

Certamente cansado de ver a mesma coisa, desliga a TV e procura refugiar-se na leitura de um jornal, e o que lê?

Dezenas de jornalistas e colunistas a desperdiçam as suas vidas e a de milhares de árvores, ao serem tão facciosos e ideológicos que acabam sendo lidos somente pelos já convertidos ao poder instituído, geralmente utilizado para promover a manipulação de informações, de forma a induzir comportamentos ou atitudes na opinião pública, favoráveis ao poder em questão.

Diante do esgotamento moral dos poderes instituídos e da cumplicidade explícita da sociedade esclarecida corrupta, que se beneficia com a degradação das relações públicas e privadas, somente uma dura intervenção externa poderia trazer para o país novos caminhos para a construção de uma sociedade justa e digna.

O presidente da República, sempre afirmando nada saber, que nada vê, e que nada escuta, já perdeu a legitimidade do comando deste pobre país, papel constitucional que tem uma premissa que não poderia ser agredida, que é a premissa da moralidade, da honestidade e da ética no exercício do seu mandato; este senhor já está inabilitado para qualquer cargo público, seja por culpabilidade directa ou por omissão diante do que está acontecendo dentro do seu desgoverno.