Na década de 1980 disseram que o sector primário era dispensável e na seguinte bateram-se pela economia de serviços. No virar do século defenderam a globalização, as deslocalizações de empresas, o comércio internacional sem regras, o crédito selvagem e a aposta cega no imobiliário. Foram ouvidos, idolatrados e todo o político que pretendia um lugar ao Sol tinha de saber as suas teorias e recitá-las com convicção. Eranm os génios da economia, os gurus da finança que dominaram o mundo e se reproduziram como uma praga sem controlo.

Até tudo rebentar, porque assente em teorias irresponsáveis, egoístas e desumanas que só poderiam levar ao sucídio, falar do 'milagre irlandês' era obrigatório. Sobretudo para os nossos especialistas de terceira categoria que infestam as televisões e jornais. As teorias neoliberais eram um 'must', o mais 'in' do jet-set político. Até houve quem desse ouvidos a um tal Fukuyama que dizia que a História tinha a acabado e que nada se iria repetir e a solução era o neoconservadorismo. Hoje, é díficil não perceber que estamos numa situação muito parecida ao início do século XX, mas dizer isso deve ser sacrilégio.

Depois foi a desgraça em que estamos, mas já ninguém se lembrava de quem tinha começado tudo. Já se tinham esquecido dos comentários pedidos a especuladores como George Soros e outros. Pior, recuperaram toda essa gente, cúmplice da tragédia criada pela alta finança, para continuar a debitar teorias.

Num momento de tragédia económica e social é quase obsceno de ter de ler e ouvir, diriamente, nos telejornais e nos jornais, os génios de sempre, sem credibilidade nenhuma. Agora, com todo o descaramento, até querem fazer passar a ideia de que a culpa disto é dos trabalhadores que não produziram o suficiente ... para os grandes empresários desviarem ainda mais dinheiro para os off-shore. São mesmo uma praga. E das difíceis de eliminar.