Ninguém põe em causa a necessidade da docagem anual do navio Lobo Marinho para manutenção. O que é criticável é a forma como quem vive no Porto Santo é tratado neste período sem ligações marítimas.
Ano após ano as críticas sucedem-se, alimentadas pelas filas intermináveis que duram dias à porta da PortoSantoLine. Todavia, mantêm a mesma solução que não agrada aos portosantenses.
A solução vigente, em termos de tempo e dinheiro, até parece benéfica. Alguns dirão que os portosantenses não foram abandonados, já que são disponibilizadas 50 passagens aéreas diárias para os residentes, ao preço do navio. No entanto, esquecem-se que 50 viagens depressa se esgotam, e esquecem se de quem não gosta ou não pode viajar de avião por qualquer motivo. Esquecem-se também que para chegar ao Funchal ainda há que pagar o transporte terrestre de ida e volta.
Quanto aos alimentos, o Funchalense transporta uma vez por semana as mercadorias. Esquecem-se das prateleiras por vezes vazias dos supermercados, e da falta de alimentos frescos.
Esquecem-se ainda da débil economia insular, tão dependente do sector do turismo. Sem turistas, como ficam os restaurantes, a hotelaria e o pequeno comércio, numa época tão difícil como a que actualmente vivemos?
Como podem as entidades públicas responsáveis, que tanto falam em atenuar a sazonalidade da ilha dourada, pactuar com este estado de coisas? Com a agravante da concessão da linha marítima ser exclusiva até 2025.
Não é abandono? No mínimo, é desconsideração!
Renata Sousa, Vereadora do PS, CMPS