Oturismo é a nossa principal actividade económica, tendo também um enorme peso na estabilidade social. Olhando para a frente, dificilmente outras actividades ou sectores poderão atingir a importância que o turismo tem para o desenvolvimento da Região Autónoma da Madeira. A importância do turismo não é determinada exclusivamente pelo seu valor linear em termos de serviços directos - alojamento, restauração, animação, entre outros. Num mundo cada vez mais competitivo e igual, a opção por uma gestão do sector que se submeta ao mandato dos vectores alojamento e transportes será um contributo decisivo para o falhanço anunciado pelas estatísticas e tendências que, lamentavelmente, têm vindo a ser tentativamente contrariadas pela baixa dos preços, da qualidade dos serviços prestados e da identificação de um destino como não tendo mais para dar do que isso mesmo: baixo preço e baixa qualidade. Importa saber se queremos vender pacotes de baixo custo ou se temos algo mais para oferecer ao mercado?. É intrigante (e triste) passar numa montra de qualquer cidade europeia e ver que uma semana na Madeira, em hotel de 4 ou 5 estrelas, com viagem incluída, custa pouco mais de meia centena de Euros. Isto interessa-nos? Que clientela procuramos nós e quantos deles vão ser necessários para que o rendimento global dessa oferta possa ser razoável em termos de economia regional? Teremos capacidade para embarcar nessa massificação desqualificada que nos desqualifica a nós mesmos? Compreende-se e reconhece-se que é difícil combater as determinantes externas que foram moldando esta tendência mas, não somos de modo algum obrigados a aceitá-las sem nos questionarmos se poderemos fazer algo noutro sentido. Sendo verdade, a globalização e normalização, também não é menos verdade que a segmentação, inteligente, verdadeira e genuína, é a única via para a manutenção de uma identidade e carácter únicos o que, também tem valor de mercado. É urgente uma nova dinâmica, verdadeira e não de discurso, congregadora de competências (humanas mas também institucionais) coerentemente formatadas e com funcionalidades alinhadas estrategicamente. Uma dinâmica assente nos valiosos e únicos recursos de que dispomos, que os valorize e que, de modo participado promova uma identificação de todos os agentes. Essa coerência identificadora, qualificadora e motivadora é o nosso melhor cartaz de visita, porque conta uma história única e proporciona uma experiência singular, que é, afinal, o que procuram os que fazem turismo e não necessariamente os que compram um pacotinho barato que tanto faz que seja aqui como noutro lado qualquer.
António Domingos Abreu, Biólogo