Vencer é um termo que, cada vez mais, se "entranha" na mente de todos quantos estão ligados ao fenómeno desportivo. Desde cedo as crianças são confrontadas com esta obrigatoriedade. Mas quais os custos desta mentalidade no futuro desportivo dos atletas? Serão os títulos, nas fases iniciais, conquistados tendo por base um trabalho sólido e estruturado, virado para as necessidades dos atletas e não para a visibilidade do clube ou do treinador? Estarão, de facto, os atletas a adquirir um conjunto de capacidades que, no futuro, os fará melhores atletas, ou simplesmente estão a jogar para vencer o título, pois o que importa é o momento? Será que os atletas desfrutam do jogo, sentem prazer no jogar ou, pelo contrário, sentem-se pressionados e coagidos pelos adultos que os rodeiam e tudo o que querem é que o jogo termine para voltarem a ser "livres"? Qual será o "preço" exigido caso o tão "desejado" título vá para outra vitrina? Como reagirão os adultos responsáveis perante o "fracasso"? Por certo serão "catalogados" como um grupo de perdedores de quem a história não se lembrará. Se calhar deviam ser abolidos os "títulos". Ninguém estaria "preso" à terrível final para encontrar o vencedor. Seria apenas outro jogo, onde ganhar ou perder, não mudaria nada. Porque razões não poderão ser todos vencedores, na medida das suas possibilidades? Porque os "campeões" de agora, poderão não ser os "campeões" do futuro. E os "perdedores" do momento poderão ser os "vencedores" de amanhã.
Paulo Fernandes, Treinador de futebol