Ricardo Gouveia Foi com total estupefacção que li a vossa notícia de 15/1 anunciando que a Zona Velha (marca registrada) estava recuperando o conceito das "vendas" com o apoio da Câmara Municipal do Funchal. A única verdade que encontrei na notícia foram realmente as àspas colocadas antes e depois da palavra vendas. Nela um dos proprietários deste estabelecimento de convés-de-cruzeiro-em-terra, fala das mercearias que realmente existem na zona velha, e da vida social que realmente existe nelas como se estas não existissem. É de um atrevimento que ofende qualquer um que conheça mínimamente esta zona da nossa cidade. A não ser que essa pessoa saiba que é realmente essa a intenção da CMF - transformar a zona velha, na Zona Fantasma da cidade, uma máquina de sacudir dinheiro aos turistas que se atrevam a viajar umas centenas de metros além do navio mãe, e onde realmente a verdade ou os locais apenas atrapalham. "Gud morningue au areiú? you want a Madeira Poncha? - ui have de real one with kiwi and banana. Oneli seven euros!" Até dava para rir, não fossem as graves consequências para quem ali vive e para a própria indústria do turismo. Quem gosta de ir passar férias a uma terra especializada em enganar turistas? Quem gosta de ir vdescobrir um sítio que lhe venderam como a Pérola do Atlântico para descobrir que afinal é o Bloco de Cimento do Atlântico? Mas voltando à notícia enaltecendo este novo entreposto de sacudir bolsos, choca saber que a escassos metros, ao lado da Capela do Corpo Santo, uma dessas vendas (sem aspas) que realmente existem - explorada pela mesma família hà três gerações - luta contra a chuva a cair sobre o balcão e sobre todos os artigos alimentares que ali são realmente vendidos. Falta de dinheiro? não. A Câmara Municipal do Funchal não autoriza as necessárias obras no telhado por achar que estas comprometerão o carácter histórico da zona. Ou seja, parece ser política oficial da autarquia matar a alguma da pouca vida que ainda sobrevive naquela zona histórica para a transformar num convés de navio de aterro, aberto apenas para estranhos. Por onde é quase impossível um Madeirense passar sem ser convidado em Inglês, Francês ou Alemão a comer uma refeição e a beber uma bebida que não pode nem quer pagar pois o preço é um disparate. Quando se irá compreender que a indústria do turismo não é um serviço para servir mentiras a imbecis, mas sim algo que tem de ser tratado com o maior cuidado e atenção, pois na maioria dos casos quem nos visita seguramente tem mais sensibilidade e habilitações do que quem nos (des)governa. Sinceramente.