Ofacto de sermos resistentes, pode levar-nos a caminhos escuros, desconhecidos, injustos e por vezes perigosos. É um acto de coragem e/ou de teimosia. De coragem, se o fizermos pelo todo e para o todo, se estivermos no bom caminho e cientes do que queremos e como queremos. De teimosia se simplesmente insistirmos contra tudo e todos, contra o que é natural e lógico, se teimarmos em irmos sós. Confesso que continuo sem perceber o que poderá mover especial interesse em remar contra a maré, sozinho e contra o interesse global, sendo este, aquele capaz de gerar força interior, ânimo, energia e harmonia entre nós e todos aqueles que nos rodeiam. Um verdadeiro líder, com carisma, é aquele que sente a necessidade de um conjunto e luta por um ideal colectivo. A resistência tem de ser feita contra aqueles que não estão a favor do coletivo, contra aqueles que não querem o interesse do todo. Hoje, mais do que nunca, numa época de globalização, de interesses cada vez mais globais, só faz sentido, agir de acordo com o plural, com a noção do conjunto e não de interesses minoritários ou pessoais. Espero que este tempo de dificuldade nos faça perceber que o interesse do colectivo tem de estar sempre primeiro que o interesse singular ou pessoal. As dificuldades têm de nos fazer acreditar, que é possível, que chegaremos ao topo, com tranquilidade e harmonia. Saber ser resistente para e a favor do interesse global, com convicção e deixando para as gerações futuras o melhor da nossa experiência de vida... saber ser resistente...

Pedro Calado, Presidente da AMAK