João Freitas Quando lia o artigo de opinião (DN, 12 do corrente), de Sílvio Alves, que em síntese escrevia sobre a sua experiência como aluno universitário, no 1º ano, lembrei-me de uma conversa que tivera, há cerca de 10 anos, com um professor universitário inglês. Essa conversa incidiu sobre alguns aspectos que diferenciavam os dois modelos de ensino universitários - o britânico e o português. O referido professor tinha algum conhecimento do nosso sistema de ensino porque proferira algumas conferências no nosso país e era professor convidado de uma das nossas universidades. No âmbito da referida conversação ele evidenciou que no nosso sistema de ensino o professor tendia a ser a sombra do aluno, o que não era comum no sistema de ensino superior britânico. Ao ouvir aquela sua caracterização, identifiquei-a e reconheci-a no nosso sistema de ensino e disse-lhe que, talvez, esse fosse um procedimento no sistema de ensino dos países mais pobres, pela dificuldade de muitos alunos no acesso aos livros, sendo o estudo feito por fotocópias de capítulos ou resumos anteriormente elaborados. Pessoalmente pude verificar que em universidades inglesas existiam vários exemplares de um mesmo livro quando era de referência para um curso universitário, além de muitos outros livros que seriam literatura complementar. Num pensamento síntese evidenciaria que, do que li no referido artigo, da memória da conversa tida com o referido professor e do contexto que actualmente vivemos no País conduz-me a uma questão: Será que o modelo de ensino de um país condiciona o seu modelo de desenvolvimento adoptado e os resultados obtidos?