Terminada que está a época da festa, como é conhecido o período que decorre desde inícios/meados de Dezembro que inclui o natal, fim de ano e dia de reis, até meados de Janeiro, com o novo ano já em velocidade de cruzeiro, é tempo de fazer balanço ao período que agora termina e traçar planos para o próximo ano. Por isso as vivências e preparativos para o Natal começam, ou começavam muito antes desse período, com a engorda do porco, do galo para oferecer ao padrinho, da galinha para a canja da noite de natal, etc. Em alguns casos talvez essa tradição ainda se mantenha mas, como é natural, na maioria das famílias já não. Mas continua a ser uma época propícia à partilha, à troca de prendas e ao convívio entre familiares e amigos. Este ano, no início de Dezembro ao passar pela casa de uma vizinha que ainda prepara e vive a festa de uma forma mais tradicional, mais precisamente no dia em que estava a fazer as broas de mel, bolos de mel e os licores para a festa e também, como é seu habito quase todas as semanas, a fazer o pão para a semana. No meio de dois dedos de conversa, a dita vizinha, uma ilustre Vicentina, sempre alegre e bem disposta, embora já com os seus sessenta e muitos anos, olhando para o pão acabado de sair do forno, em cima da mesa ao centro da cozinha, escolhe uma das rosquilhas mais bonitas, envolve-a numa toalha adequada, tirada da gaveta da referida mesa, e oferece ao João e dizendo "de um dado se faz outro". Esta frase, ou este dito como diz o povo, não me era totalmente desconhecido, assim como o gesto que é habitual na dita senhora, mas aplicado nesta circunstância fiquei curioso e atrevi-me a perguntar o que queria dizer com aquilo, ao que ela me respondeu muito depressa, "então ele não me trouxe aqui á dias um braçado de lenha de faia para o forno, os antigos já diziam isto "de um dado se faz outro", não é nenhuma troca nem pagamento, também gosto de dar". Esta atitude e este ditado popular ilustram na perfeição o espírito de Natal, mas que ainda em muitas casas se aplica durante todo o ano, como acontece no caso desta Vicentina. Façamos votos para que em 2011 as pessoas em geral e os políticos em particular o tenham presente e o ponham em prática, talvez exista menos crise a todos os níveis.

Joel Freitas, Presidente da ACIN