Há um nervosinho miúdo com a situação clínica do Dr. Alberto João Jardim. Para o PSD/M porque a coisa parte-se sem a mão do pai. Para a oposição porque não sabe viver sem a voz do padrasto. Às vezes penso como foi possível estes anos a fio, o Dr. Jardim passar sem um valente susto. Lembro-me, por exemplo, de uma campanha eleitoral com sete comícios num dia/noite, com todos os jornalistas a caírem para o lado de cansaço e o líder do PSD/M a pular no palco cantando uma música francesa inventada na hora. Por muita cafeína que tomássemos aguentar a pedalada é obra. Mas o tempo passa. Para todos. A verdade é que no passado sábado à tarde ninguém queria acreditar que o semi-deus tivesse sequer uma dor de cabeça. O povo há-de pensar o mesmo. O que é mau. O dr. Jardim pode ter uma dor de cabeça. E depois? Assim se fazem os mitos. Mas este tempo de descanso forçado pode servir para muita coisa. Reflectir, sobretudo. Olhar para o presente (o que obriga a perspectivar o futuro) da Madeira de uma forma diferente. Reajustar comportamentos. Encontrar soluções. Mudar o discurso o que não significa perder a matriz. Por vezes há males que vêm por bem. Há sinais que obrigam a desacelerar o passo e olhar em volta. Sem dramas. É a vida. É pois, neste contexto, que eu imaginei um governo mais sereno, uma oposição mais activa, sem gritaria e lugares comuns, um debate parlamentar digno, profícuo, com soluções de um lado e de outro, com diálogo, ou seja, com alguma paz democrática. E porque há eleições (não me apetece falar em congressos, por enquanto) vamos lá fazer um exercício de passadeira. Se o PSD/M voltar a ganhar eleições é provável que haja uma"vassourada" no elenco. Manuel António fica, é obvio. Conceição Estudante, a minha bola de cristal diz sim mas não arrisco. O resto…bem, imagino João Cunha e Silva a querer ser presidente da Assembleia Legislativa, e Miguel Mendonça a sentar-se na cadeira ocupada desde 1997 pelo juiz-conselheiro Monteiro Diniz, no Palácio de São Lourenço…e assim caça-se dois coelhos (desculpe senhor candidato a Belém nas não tem nada a ver consigo), uma é o pesadelo das sociedades de desenvolvimento falidas (tem de haver uma solução), a outra é a discussão em torno da extinção do cargo de representante da República. Imagino ainda o secretário do Equipamento Social, Santos Costa, a regressar a uma actividade antiga, fotografia, agora de máquinas de construção civil, nomeadamente no vale da Serra d'Agua e no aterro do Funchal. Acho, ainda, que Ventura Garcês, ao fim destes anos, merece sinceramente gozar fins-de-semana descansados nas terras de Ribeira Brava, ir de férias sem preocupações sobre fontes de financiamento. Tem os cabelos brancos. Vejo, ainda, Francisco Fernandes a dedicar-se exclusivamente à poesia, contos infantis, e ao seu "Principezinho". Imagino, ainda, Brazão de Castro a recolher-se em casa estendo os pés cansados junto à lareira e o médico Jardim Ramos regressar à especialidade abraçando a causa dos direitos da terceira idade. Como vêem já os distribuí. Falta agora, substituí-los. Isto se o PSD ganhar, é óbvio.
Lilia Bernardes, jornalista do DN- Lisboa, na Madeira