Há boas notícias no Turismo madeirense para este ano. O ano começou mal com uma ocupação baixa na maioria dos hotéis, nomeadamente os de melhor categoria, e deverá manter-se, pelo menos até Abril. Será um primeiro trimestre mais ou menos igual ao do ano passado. Contudo, se não houver imprevistos, teremos uma Primavera muito melhor do que em 2010 e o Verão, poderá ser ainda melhor. Foram anunciadas novas operações de França, onde há retoma do mercado mesmo com os operadores que tradicionalmente trabalham para a Madeira. Dos países da Europa do Norte, sobretudo da Finlândia, há uma operação montada que chegará aos seis voos charters por semana entre Março e Maio, e do Reino Unido há o anúncio que já está a ser feito por alguns aeroportos da Inglaterra e da Escócia de que a Atlantic Holidays vai retomar muitos dos voos que tinha para a Madeira há três anos. Outra boa notícia refere-se ao Porto Santo, onde dois hotéis irão trabalhar com um regime de tudo incluído, e onde deverão chegar três operações directas em voos fretados por operadores estrangeiros, no Verão. Já era tempo de termos boas notícias e de o arquipélago acompanhar a retoma que se está a verificar nas regiões turísticas portuguesas e de uma maneira geral na Europa do Sul, onde nomeadamente nas Canárias se verifica já neste Inverno o regresso dos grandes operadores da Europa do Norte e Central. Há poucas certezas ainda sobre a Alemanha, mas desenham-se também os reforços de algumas operações charters. Essas são as boas notícias. Mas nem tudo são rosas e a principal dúvida que se coloca é o preço a que foram contratadas essas operações na hotelaria regional. A tendência de baixar preços por parte dos hoteleiros, cedendo muitas vezes às pressões e chantagens dos operadores, ou face a uma situação de tesouraria extremamente grave, parece persistir nalguns casos. Um facto indesmentível. Confirmam os números, através do Revpar (receita média por quarto vendido), que nos trouxeram as estatísticas do Verão e já do mês de Novembro. Todos sabemos que vender barato descaracteriza o serviço e diminui parâmetros de qualidade da hotelaria, o que coloca a Madeira numa situação de fraca competitividade face a novos destinos ou a outros já conhecidos e consolidados que também se esforçam, com máquinas de promoção mais dispendiosas ou, quiçá, mais eficazes, para conquistar a preferência dos turistas. Ontem, em Lisboa, na Cimeira do Turismo Português, foi apontada uma tendência de melhoria da procura da Madeira no mercado europeu. Falou-se de algumas dificuldades no transporte aéreo. Acreditamos que há algum exagero, pois as operações estão a ser programadas por parte dos operadores aéreos, e o número de voos que se perspectiva é já superior ao que estava previsto nesta altura no ano passado. No entanto, uma coisa é certa, achamos que tem de haver alguma contenção na negociação e é necessário ter em conta o preço. A Madeira tem qualidade para estar melhor cotada, há segmentos de mercado que estão a ser mal trabalhados e impõe-se alguma qualificação na oferta, pois o hóspede tradicional apercebe-se que nalguns hotéis está a falar o que sempre caracterizou a Madeira ao longo das últimas décadas. Mesmo que o turista tenha menos dinheiro para gastar e seja mais exigente. Há uma cadeia de valor que não se pode perder e uma imagem a defender. Uma questão concreta que não pode ser menosprezada, quer pelos hoteleiros, quer pelas entidades responsáveis pela promoção e pela inspecção turísticas, que têm de fazer valer o integral cumprimento das exigências que são fundamentais para que a qualidade se mantenha. O pretexto de que o paradigma do cliente mudou, não é razão para estarmos com um RevPar médio que pouco ultrapassa os 20 euros. Se continuamos assim não há receitas que contenham o défice dos custos de algumas operações hoteleiras na Madeira, que até há pouco tempo era vista como uma referência na hotelaria europeia. Esperemos que as contratações (que devem estar consumadas já), feitas sob pressão e num momento menos bom para as empresas, não anulem as boas notícias que hoje anunciamos.