Na sua edição de 28 de Março de 1956… o Diário de Notícias da Madeira dava a novidade. A Madeira teria em breve um clube de Jazz. A inscrição de sócios atingia já as dezenas e a presença no Funchal, de Mary Elise do Hot Club de France e de alguns directores do Hot Clube de Portugal, vinham dar força ao projecto e podemos dizê-lo apadrinhá-lo. Acrescentava o Diário que «Na nossa cidade, capital de uma ilha que tem na industria do turismo uma das suas principais fontes de riqueza, já se fazia sentir a falta dum «Hot Clube» visto que, por cá têm passado despercebidos do público, como nossos hóspedes, alguns músicos de jazz, famosos no mundo da música moderna, os quais, noutras circunstâncias, por certo, poderiam ter proporcionado ao público madeirense algumas horas de boa música.» Em 1956, pretendia-se dar continuidade ao que foi o célebre Flamingo aberto em 1945… no Funchal, que sem margens para dúvida foi o primeiro clube de jazz em Portugal. É possível ainda ver o reclame exterior, junto ao Mina Gerais. Em 1986… dois músicos madeirenses, Tony Amaral Jr. e Humberto Fournier, conseguiram a proeza de abrirem o Madeira Jazz Club, um espaço recordado com saudade. Passado já o milénio e com três festivais de Jazz a decorrer anualmente na Madeira, que contam com a presença de muita gente, a abertura de um espaço desta natureza faz todo o sentido. Um Hot Clube de Jazz é uma ideia acarinhada por muitos músicos madeirenses. Serviria até para reforçar a componente prática do Curso de Jazz ministrado no Conservatório - Escola das Artes. Por fim, mais do que nunca, seria uma porta aberta para muitos dos músicos e aficcionados estrangeiros que passam despercebidos na nossa cidade. Ao contrário de outros tempos, a música ao vivo, não é um cartaz de referência do Turismo madeirense.

Vítor Sardinha, Músico