No ano passado, nas férias eu concorri a um programa de Estágio numa muito conhecida instituição bancária do nosso país. No meio de tantos participantes no recrutamento fiquei admirado e devido também ao facto de eu ser um estudante do 1º ano de Gestão, quando, algum tempo depois, os recursos humanos da referida instituição bancária me contactam a felicitar por ter sido um dos dois seleccionados para integrar um estágio de Verão. Aprendi durante esses três meses muitas valências, consegui realizar muitas tarefas… mas para ser sincero aquilo que mais aprendi foi que muitas das coisas, dos conceitos, das fórmulas, das definições que aprendemos nas Faculdades não iremos precisar no futuro, nas nossas actividades profissionais. As prioridades do nosso sistema de ensino estão, na minha opinião, muito desfocadas. Actualmente o que interessa aos professores é conseguirem com que os seus educandos debitam as fórmulas, as definições. É engraçado notar o comportamento de alguns dos meus professores, e acredito que dos teus se és estudante, eles querem é que nós memorizemos fórmulas… fórmulas para calcular o IVA, para calcular o SPREAD, para calcular as amortizações, para calcular as prestações… E o mais cómico disto tudo é que os professores que nos dão aulas, nem formulário nos dão... e justificam esta carência de informação afirmando que as fórmulas são lógicas, e que a sua dedução é óbvia… pois bem numa frequência que se espera estar a resolver as questões, ainda perder mais tempo a deduzir fórmulas é um abuso. É costume dizer -se que nós não somos praxados só enquanto somos caloiros, que somos constantemente massacrados pelas taras e manias dos docentes que são responsáveis pelas diversas cadeiras de ensino, quer na UMa quer nas outras Faculdades do País. Mas ter que estudar cerca de 1250 diapositivos para uma frequência que é leccionada por 3 docentes diferentes é uma tortura para nós… Felizmente isto não se passa em Gestão, mas sim noutro curso da UMa... Meus caros professores, acredito que a melhor forma de fazer com que um aluno se interesse pela cadeira não é, de todo, massacrando-o, obrigando-o a saber coisas que nem lembram ao menino Jesus…

Sílvio Alves, Aluno da UMa