Repleto de manifestações ricas em espiritualidade, a semana de Natal e fim de ano foi passada na Madeira. As missas do parto, os concertos da orquestra clássica, as cumplicidades em família cada vez mais numerosa, todas, todas elas preencheram esses momentos bem passados. Pelo meio, e ao abrigo das funções que exerço, fui entrevistado pela antena 1. Balanço do ano turístico nacional e ainda prioridades para a recuperação turística do destino Madeira depois do trágico 2010. Assumi e, julgo ser um sentimento que perpassa por todos os agentes do sector, que a Madeira não pode voltar a ter mais anos como 2010, sob pena de pôr em causa a curto prazo o seu equilíbrio social. Nesse sentido, respondi que, para além das acções tácticas de promoção que a Madeira está a fazer com a colaboração do Turismo de Portugal e da ANAM, e da elaboração de uma abordagem estratégica que defina modos futuros de actuação relativamente ao equilíbrio oferta - procura, é necessário olhar para o aeroporto da Madeira como a infra-estrutura central de circulação de pessoas numa região onde o turismo representa mais de 30% do emprego e da riqueza. Na RTP, ouvi com interesse as declarações da Sra. Secretária do Turismo e Transportes confirmando que a administração da ANAM foi mandatada para apresentar um estudo de extensão da concessão. Boas notícias. A decisão de conceder à ANAM a exploração do aeroporto por mais anos, não só não fragiliza a condição da Madeira como proprietária do aeroporto, como a habilita a renegociar todos os prazos que envolvem o financiamento, com a possibilidade de repercutir na exploração e nos consequentes factores de competitividade do aeroporto esse aumento de prazo. Num mundo globalizado, onde destinos como a Turquia, Egipto e Tunísia se posicionam de forma muito agressiva e concorrem com o destino Madeira num modelo de negócio com forte peso da operação consolidada, é tempo de esgotarmos os instrumentos disponíveis. Fazemo-lo pelo Turismo, mas sobretudo fazemo-lo pelo povo da Madeira.

Bernardo Trindade - Secretário Estado