É normal quando um ano acaba e outro começa que deitemos o olhar para trás e façamos um balanço. Partindo daí perspectivamos um futuro cheio de intenções e mudanças que procuramos levar avante desde logo. 2010, no que à cultura diz respeito, não foi melhor nem pior que 2009. Nem melhor será este aninho que agora começa a dar os primeiros passos. Honestamente, e no geral, só consigo ter presente dois grandes anos para a cultura desta nossa mui' amada terra. 2004, ano da Madeira Região Europeia e 2008, ano das comemorações dos 500 Anos da nossa grande capital. Ao pensar nisto salta-me à ideia uma interrogação: porque é que essas duas dinâmicas se perderam? As juras de amor pela cultura foram muitas e vindas de muitas partes. Que estávamos no princípio de uma afirmação cultural regionalista, que não pode haver autonomia sem cultura, que um povo não se pode afirmar como tal sem se estruturar solidamente numa base cultural. Esta paixão, este amor, perdeu-se rapidamente na realidade da gestão dos orçamentos e das vontades. As nossas estruturas de gestão cultural continuam presas a formas e modos de antanho. Não são evolutivas e adaptadas a uma realidade em constante mudança. O nosso tecido empresarial, havendo algumas excepções, nem faz a mais pálida ideia do que é a responsabilidade social das empresas que também pode, e deve, ser aplicada à cultura. Os nossos decisores "distraem-se" e não legislam uma mais que necessária lei do mecenato regional desburocratizada, de fácil aplicação e fiscalização que disponibilize verbas para a cultura e beneficie as empresas que a ela aderirem. É mais do que urgente o debate destas e outras questões num verdadeiro Congresso da Cultura Madeirense que se baseie em princípios autonomistas progressivos. Se o não fizermos corremos o risco de nos tornarmos um povo amorfo e sem futuro!

Nuno Morna - Actor