Que saudades daquelas presidenciais de 1986, do 'Soares é Fixe' e do 'P'ra Frente Portugal', das bandeiras, dos chapéus de plástico, caravanas diárias por todo o País, comícios com milhares aos gritos, cartazes, gente nas ruas. Isso, sim, foram eleições. Renhidas até ao último minuto, mais emocionantes do que um Mundial de Futebol, com lágrimas de alegria e tristeza no final. Que saudades.

Agora, se não fosse a irreverência de um candidato fora do sistema, de um Coelho que, independentemente do conteúdo da mensagem, vai dando algum colorido a um quadro quase todo monocromático, muita gente só saberia que há eleições presidenciais quando visse, no dia 23, as escolas abertas e algumas pessoas a desviarem a rota entre a casa e a Igreja para cumprirem uma obrigação.

Os candidatos e as candidaturas que me desculpem, mas não me lembro de eleições mais cinzentas, vazias de ideias e de argumentos. Se estamos a eleger alguém para o cargo mais importante da nossa Democracia, o cenário é preocupante. Ainda por cima, estamos no meio de uma crise monstruosa que deveria obrigar a mais energia de quem se candidata.

Deveriam discutir temas de fundo e questões de carácter, de honestidade e de perfil político. Porque é para isso e por isso que se elegem os Presidentes da República. Não estamos a tentar ver quem é o menos mau, nem o que fica melhor na televisão. Mas é o que parece.