Em 1968 a sociedade francesa era descrita pela sua instabilidade e pelo seu conservadorismo. Temas como, a homossexualidade e a emancipação da mulher eram alvos de grande incómodo, não deixando assim, a estes, o direito de se expressar autonomamente. Descontentes com toda esta estrutura social arcaica e com um sistema educacional fóssil e estritamente rigoroso, onde as saídas profissionais eram escassas, eis que surge na Universidade de Paris a primeira greve estudantil que datou o inicio de um processo de revolução. Várias Universidades são encerradas com o objectivo de pôr fim às greves iniciais. Contudo, estes sucessivos encerramentos só serviram para agravar o descontentamento por parte dos alunos, que reivindicavam uma renovação do sistema educativo. Foram muitos os confrontos... e a 13 de Maio deu-se o culminar dos protestos. Milhares de estudantes e trabalhadores saíram às ruas, numa força popular reivindicativa nunca antes vista. Esta revolução estudantil, que acabou por ser similarmente operária, não se ficou pelo território francês, espalhando-se por toda a Europa. Com o passar do tempo tudo foi normalizando, os trabalhadores voltaram aos seus postos de trabalho, com melhores condições de trabalho e remunerações satisfatórias. A Crise de Maio de 68 mudou a forma como eram entendidas a liberdade civil e a democracia, dando lugar às opiniões e necessidades das minorias. Até aos dias de hoje, ouvimos falar do tão famoso Maio de 68… deixando no ar inúmeras questões, às quais procuramos respostas e nunca as consagramos como tal. Não estaremos, nós, a precisar de um novo Maio de 68, adaptado claro ao contexto português? Não será isso que a Europa e Portugal em especial está a pedir? Uma transformação a nível educativo e laboral?
Vera Fernandes - Aluna da UMa