E de repente, a Madeira tremeu! Não por um sismo, nem uma tempestade, nem sequer algumas gotas de chuva num dia que foi de sol. A Madeira tremeu porque o presidente do governo regional também tremeu. E quando foi hospitalizado toda a Madeira também se sentiu a desfalecer. A verdade é que Jardim, goste ou não se goste, concorde-se ou não se concorde com atitudes, políticas e afirmações, há muito que carrega nos ombros o peso de uma região inteira e de 250 mil habitantes. Ninguém lhe pediu, é certo, mas os votos vão surgindo ano após ano, eleição após eleição, e Jardim tem hoje o seu lugar cativo na presidência e na escolha dos destinos da Região. Foi por isso que a Madeira tremeu. Porque quando Jardim deu entrada no hospital e muitos pensaram o pior, pensaram também no futuro da Região e quem poderia assumir o lugar que até sábado de manhã parecia ter apenas um nome. E aí o tremor foi maior, e quase que mais de duas centenas de milhar de madeirenses deram também entrada no hospital com ataques de pânico. É que quando alguém permanece tempo demasiado na luz da ribalta, facilmente consegue eclipsar todos aqueles que estão à sua volta, isto para não falar de todos os outros que nem ocupam lugar no palanque. Sem alternativas à vista, e com um país à beira do colapso, Jardim surge para muitos, para todos aqueles que lhe dão o voto por esta ou aquela razão, e mesmo para aqueles que votam noutros partidos, como uma garantia de continuidade, como a certeza de que, apesar de tudo, continuaremos a caminhar em direcção ao futuro. Por isso vieram as centenas de comentários nas notícias e nas redes sociais, desejos de rápidas melhoras e palavras de sincera (?) preocupação. Por isso foram criados grupos de apoio e eventos no Facebook , os dirigentes partidários mostram-se solidários e alguns apoiantes rapidamente foram mesmo até ao hospital só para confirmar o estado de saúde do presidente do Governo. Mas felizmente, foi apenas um susto e dentro de alguns dias Jardim voltará, talvez a um ritmo um pouco mais brando, a dizer o que bem lhe apetece, a falar só como ele sabe e a comandar os destinos da Madeira, como faz há mais de 30 anos. E por isso, o povo suspira de alívio e, pede, baixinho, tal como fazem os britânicos quando se dirigem aos reis, para que a vida seja longa. ‘Long live the King’! Mas, infelizmente, nem os reis são eternos…

Ana Luísa Correia