Fátima Nascimento Há ditados que todos repetimos, muitas vezes sem pensar, e que não têm grande razão de ser. Todos os ouvimos de alguém e todos nos habituámos a aceitar como verdadeira a filosofia que encerram e nem sequer os questionamos. Há um que não me entra bem na cabeça e que sustenta que "A ocasião faz o ladrão". Não é verdade. Pode haver muitas ocasiões mas, se a pessoa for honesta nunca se tornará ladrão só porque a ocasião se proporciona. Este lembra-me um ditado para desculpar os ladrões. Só falta acrescentar que coitados, não têm culpa, afinal os mauzões dos descuidados criaram oportunidades irresistíveis! Não faz sentido. E há muitos exemplos que poderemos ir buscar a situações da vida que provam isso mesmo. Contava uma pessoa conhecida, há uns dias atrás, que havia perdido o cartão multibanco juntamente com o código que partilhava a mesma bolsa. Só deram pela falta destes dois dias depois. Por precaução, e como nunca se sabe a que mãos poderiam ir parar, os donos foram cancelar a conta. Admirados, constataram que, quem achara o cartão e o código não havia mexido na conta e o extracto bancário mantinha-se inalterável desde a última vez que lhe haviam mexido. Passado algum tempo, o cartão havia de lhes ser restituído por um agente da polícia que o entregara no banco. Esta é um dos muitos exemplos reais que poderia citar. Mas não vale a pena. Cada uma das pessoas espalhadas por esse mundo fora poderia acrescentar um outro exemplo de vida. Isto mostra que não há necessariamente um ladrão em cada um de nós. Aquele ditado não é uma regra nem esta atitude uma excepção. Há pessoas assim, quer se queira aceitar ou não. E são pessoas assim que nos fazem ter ainda fé na humanidade. Que há outros que fazem justiça a este ditado? Mas não somos todos. Vamos esquecer estes e olhar para aqueles que valem a pena. Nem toda a ocasião faz o ladrão. O ladrão, mesmo que a ocasião não exista, arranja-a. E não vale a pena desculpá-lo. Há pessoas que preferem roubar a pedir. Talvez devessem pedir em vez de roubar. E os demais que se livrem das más influências. E o mal consegue ser persuasivo de várias maneiras. Devemos pensar sempre que há um caminho alternativo ainda que se desconheça.