Ricardo Menezes de Freitas Tenho seguido com alguma atenção a polémica do Sr. Dr. Geógrafo e é com alguma tristeza que verifico que a discussão se centralizou nos Currículos das Licenciaturas em Geografia em vez de abordar algumas questões que poderiam ser desenvolvidas a partir do desabafo, algo infeliz, do senhor Bernardo Jardim Fernandes. Sou engenheiro do ambiente e, como tal, pouco ou nada me diz a polémica curricular em questão...
Assim e abordando, para já, apenas o incêndio que devastou o Parque Ecológico, criado com muito mérito e suor pelo então vereador Dr. Raimundo Quintal, há realmente algumas questões que acho pertinente levantar:
1. Existe ou alguma vez existiu um plano de ordenamento do parque de forma a permitir um combate eficaz contra uma catástrofe destas? Existiam zonas de contenção especialmente preparadas para o combate ao incêndio com a largura e o tipo de coberto indicado para o caso (p. ex. folhosas)? Foram criadas represas para que os bombeiros pudessem aceder facilmente a fontes de água sem ter que esperar por camiões cisterna?
2. Olhando para o que está a fazer a nível mundial ao nível da gestão florestal, isto é, a introdução propositada de gado em zonas específicas de modo a criar as tais zonas de contenção, como é o caso dum protocolo estabelecido ente Portugal e Espanha para a defesa das matas transfronteiriças que prevê a introdução de 150 000 cabeças de gado, não seria viável estudar essa questão e apaziguar uma guerra, aparentemente, sem sentido entre pastores e autoridades regionais?
3. Que medidas estão a ser tomadas de modo a proteger a mais que previsível erosão dos solos, das zonas afectadas, aquando das muito próximas primeiras chuvas de Outono?
Estas questões não são retóricas! Não sei mesmo a resposta, como certamente a maioria da população funchalense...
São estas as questões, segundo o meu ponto de vista, que devem ser abordadas tendo o ónus no futuro e não no passado de modo a que possamos prevenir outra catástrofe... E convém não esquecer que há já largos anos que o "Dr. Geógrafo" não tem este pelouro na CMF...
Para terminar estou perfeitamente ciente das condições meteorológicas aquando dos incêndios mas como qualquer engenheiro poderá confirmar, quando projectamos alguma coisa, devemos projectar tendo em conta cenários extremos e não o usual... Se assim não fosse já não haveria barragens, nem pontes, etc. seguras neste mundo... Isto, segundo a minha opinião, deve inclui contar com a falta de civismo das populações pela simples razão que ela existe!
P.S. Não sou especialista nesta área mas tenho, dentro das minhas competências académicas, alguma formação na área.. E recuso-me a andar a divulgar o Currículo por aqui... Quem quiser que vá ao site do Instituto Superior Técnico...