Diana Rodrigues Creio que a carta publicada sobre o "Doutor Geógrafo" se refere à pessoa do Dr. Raimundo Quintal. Sobre os pontos que continha gostaria de dar a minha opinião.

Repudio a frase "mero curso de letras", porque considero que um curso de letras não é uma coisa menor. Recuso a classificação de disciplinas "pseudo"-técnicas a cadeiras como climatologia e hidrologia. Discordo plenamente da opinião que as disciplinas da área social e humana não interessam para nada. Pelo contrário, acho que são muito úteis, essenciais até.

Alerto para o facto de, actualmente, a uma licenciatura equivaler um curso de 3 anos, mas no tempo do Dr. RQ eram 5. Para além disto, considero que os conhecimentos de uma pessoa não são apenas aquilo que aprende nas aulas, universitárias ou outras. O Dr. RQ tem continuado a estudar, a aprender e a observar, ao longo de toda a sua vida.

Quanto à dificuldade em ver um geógrafo como um especialista em alguma coisa, afirmo que tenho grande facilidade em ver um geógrafo como um especialista em geografia.

Na altura do temporal de 20 de Fevereiro, ouvi o Dr. RQ afirmar, várias vezes, entre as considerações que fez, que a quantidade de precipitação que tinha caído era tão imensa que teria sempre consequências graves. Também disse que podiam ter sido feitas coisas antes, que teriam evitado consequências tão terríveis quanto as que se verificaram, e que poderíamos e deveríamos fazer coisas depois para prevenir igual desgraça, no futuro.

Quanto às dezenas de técnicos do Governo Regional, na minha opinião não serão todos incompetentes, antes pelo contrário. Acho, até, que era interessante saber realmente o que pensam e o que fazem, e se aquilo que pensam e fazem é tomado em consideração pelos que decidem.

Finalmente, concordo plenamente que é estranho o silêncio ensurdecedor dos investigadores da UMa sobre o temporal e os incêndios, e as suas consequências, e gostava de saber o porquê de tal situação. Entretanto, sugiro que nos concentremos todos sobre os estudos dos investigadores da Universidade de Aveiro, que de silenciosos não têm nada. Até passou - há 2 anos! - num programa da RTP um filmezinho sobre as possíveis trágicas consequências de um aluvião na Madeira, consequências essas, que, infelizmente, se vieram a verificar. Há pelo menos um estudo feito sobre aluviões na Madeira, causas, consequências, como minorar, etc., e outro sobre a praia do Porto Santo e o desaparecimento da sua areia. Já que os entendidos da "nossa" universidade estão calados, bem podíamos aproveitar o saber dos das "outras" que não estão. Será que as nossas autoridades regionais estão a basear as suas acções nos resultados de tais estudos científicos?

Termino manifestando o meu maior respeito pela pessoa do Dr. Raimundo Quintal. A sua força motriz é o seu grande e profundo amor pela Natureza, e pela floresta Laurissilva especialmente. Não fala para agradar a ninguém, não anda na caça ao voto, nem prepara o seu discurso conforme a meta que quer atingir. Posso não concordar sempre com ele, mas respeito-o muito, pela sua frontalidade e pelos seus conhecimentos Para além de respeito, sinto gratidão, pelos cuidados que tem tido com, e pela forma como zela pela Natureza; pelas iniciativas que já teve e pelo trabalho incansável que tem tido na reflorestação. A Laurissilva que ele tanto ama também é minha. Gostava que houvesse muitos como ele, ou que, pelo menos, o soubéssemos aproveitar.