António Ferreira Quando analiso a questão da política regional sou frequentemente confrontado com situações inéditas e irracionais. Talvez seja a minha modesta inteligência, ou será o PSD-M um partido muito estranho? No poder há trinta anos, o PSD-M não produziu um único Secretário de Estado, um único Ministro, nenhuma figura de relevo no panorama da política nacional. Tirando Guilherme Silva que ocasionalmente aparecia, mas que desapareceu por completo no consulado Passos Coelho, não temos nenhum madeirense social-democrata na política nacional. O CDS colocou José Manuel Rodrigues por diversas vezes a representá-lo, o deputado madeirense representa a Madeira mas também é o coordenador numa área fulcral como é a educação. O PS colocou um madeirense, Bernardo Trindade, como Secretário de Estado do Turismo; o PSD: zero madeirenses. Isto é estranho por vários motivos. Qualquer pessoa com alguma honestidade intelectual reconhece que a Madeira teve um impulso de desenvolvimento notável, especialmente nas décadas de 80 e 90. Por outro lado existem muitos quadros de valor no seio do PSD-M. Ainda na Terça-Feira li uma notícia no jornal i que foi preciso coragem política para impor novas normas na prescrição de medicamentos (peço desculpa ao responsável desta iniciativa, mas confesso desconheço o autor político desta medida importante e positiva). Depois ainda há aspectos positivos na governação laranja: as infra-estruturas necessárias, o Sistema Regional de Saúde, a autonomia consolidada, o abate das assimetrias com o resto do país. Existem pessoas capazes no PSD-M. Seria desonesto da minha parte dizer que só existem maçãs podres no PSD-M, aliás seria impossível termos as condições de vida que temos só com maçãs podres, mas a verdade é que o pensamento político do PSD-M é afunilado e distorcido. Em vez de apostar nas ideias com valor político, em modelos de desenvolvimento, no encontro de soluções para os problemas das populações, na criação de quadros políticos, vemos uma permanente guerrilha contra adversários, delírios e devaneios autoritários e prepotência. Em vez de moderação democrática, tolerância e entendimento, é comum encontrar ataques, pressões e coacção. Há quem pense que isto é um mal aceitável em prol de uma causa maior. Não concordo e afirmo que tudo isto é muito estranho. Poderia aqui dissertar sobre as causas desta evidência, mas prefiro que os leitores tirem as suas próprias conclusões.