Os madeirenses deviam estar a votar nos motivos do orgulho que sempre promoveram, as maravilhas naturais concorrentes a um lugar entre as sete mais de Portugal. Seria uma opção inteligente e regeneradora, se é que a lógica reconstrutiva é para manter, a par do desejo de afirmação no contexto nacional. Bastaria que houvesse um apelo continuado e determinado na escolha. Não é o que se tem visto. Talvez falte motivação. A floresta laurissilva foi em parte queimada por criminosos, a que se juntam os contributos dos peritos locais em negligência e irresponsabilidade. A praia do Porto Santo foi invadida por bicharada incómoda e mal cheirosa que só um ou outro míope ou insensível não notou ter efeitos nefastos na procura futura pelo destino. O desleixo não se esgota na forma envergonhada de potenciar as maravilhas. Como é marca de algum governo que não acautela o interesse colectivo, põe em causa interesses da economia regional e o CINM, seu instrumento de desenvolvimento, mina as relações entre portugueses, deixa cair soluções tecnológicas e até já comprometeu, por altura do Euro'2004, a edificação de um estádio a baixo custo. E depois, quando este jornal dá expressão a algumas verdades incómodas, como as da semana que passa, recorre ao argumento banal, resumindo-as a uma manobra contra os direitos e interesses legítimos dos madeirenses, alegada "alegria" que nos enfeita, para que assim o povo seja tentado a julgar não haver culpa de quem (não) manda. Não espanta que nesta Região com défice de debate e de reflexão os mentores da submissão prefiram fomentar a intolerância, ocupar o tempo a redigir 'esclarecimentos' ou a fazer desenhinhos primários. Desse mal também padece Roberto Silva. O edil acusou recentemente o DIÁRIO de "promover campanhas contra o Porto Santo e os portosantenses". Convidamo-lo a ter memória ou então a ler, sem preconceitos, uma página que surge na edição de hoje, através da qual agradecemos todos aqueles que tornaram possível mais uma bem sucedida edição do 'Porto Santo em movimento'. Mais de 2.220 participantes beneficiaram das actividades lúdicas e desportivas que este jornal e diversos parceiros proporcionaram no último Agosto. Se ao menos cada um cumprisse a missão que lhe está confiada, não haveria lugar para a política de terra queimada. E a gratidão era motivo de orgulho.
Ricardo Miguel Oliveira, Director