Manuel António Freitas A Madeira está de luto, veste de preto, a cor da morte e destruição, a cor da noite e das brumas, a cor que não é cor. As serras ardem, os bombeiros acodem. As serras ardem, as pessoas comentam. As serras ardem, os políticos continuam a festa. As serras ardem, a culpa é do tempo. As serras ardem, levantam-se vozes. As serras ardem, os culpados são os políticos. As serras ardem, espera-se pela chuva. As serras ardem, os culpados são os incendiários. As serras ardem, os bombeiros olham ao longe impotentes. As serras ardem, a vida morre. As serras ardem, caçam-se bruxas. As serras ardem, apontam-se culpados. A serras ardem, e continuam a arder. As serras ardem, o culpado é o gado que não existe na serra. As serras ardem, continua-se à espera da chuva. As serras ardem, os culpados são os meios aéreos que não existem. As serras ardem, não há estratégia, há vazio de ideias, As e ninguém tem culpa. As serras já não ardem, já não resta mais para arder. Organizem-se…