Os tempos estão difíceis e requerem concentração máxima nas soluções a tomar e nas oportunidades a aproveitar. A Europa não progride, ainda que os maiores e mais qualificados países se aproximem do ritmo mínimo de crescimento. Os países mais pobres e menos preparados, poupam, gastando menos e procurando a linha de partida para nova etapa. São Espanha, Irlanda e Grécia. Portugal devia estar associado a estes últimos no sentido do corte de tudo o que é despesa dispensável, não absolutamente necessária. Mas, não é assim. É o único em que a despesa cresce, ainda que se tenham cortado os principais investimentos previstos. Os grandes e polémicos investimentos (TGV, Aeroporto de Lisboa, 3ª ponte do Tejo, etc.) foram suspensos mas a despesa continua a subir. E muitas mais obras, médias e pequenas, estão esquecidas. Diz o governo de Sócrates que a despesa se aproxima do orçamento de Estado aprovado. Coitados dos que o aprovaram, com medo de derrubar um governo acabado de tomar posse. Um erro que tem custado caro (aumento de impostos) aos portugueses e muito mais os onerará nos anos futuros. Há que acabar com este "regabofe" despesista para perpetuar Sócrates à frente do governo. E acabar já, rejeitando o orçamento socialista para 2011. O PSD não pode aprovar um orçamento de Estado irresponsável e irrealista. Que acaba com os investimentos que dão e garantem emprego, mas mantém as ilusórias benesses sociais que asseguram voto. Quem tem emprego dispensa os subsídios do Estado. Pode pagar as suas contas e da sua família. Quem não tem emprego só sobrevive se o Estado lhe garantir sustento através de subsídio público. Sócrates prefere a segunda à primeira porque cria dependência e medo de um governo que não dê subsídio e borlas. É muito grave que o PSD perpetue no tempo um governo que destrói a esperança do País fugir à pobreza generalizada. Deixar o PS continuar é concordância com este estado de coisas. É assumir responsabilidades no drama que se segue. Ficar à espera de novas e favoráveis sondagens bem como de revolta nas ruas é atitude contrária aos princípios de rigor e seriedade política com que o PSD sempre se afirmou. Só em Portugal e no sector governamental - no privado era impensável manter um gestor com tão maus resultados - é que se mantém um ministro das Finanças que nos conduziu à bancarrota e aos caos financeiro. Parece aquele ministro iraquiano que no meio das bombas dizia estar tudo calmo. Como se tranquilizam os mercados externos com tamanho incompetente. Não seria um bom sinal a sua substituição. O problema é que ninguém, competente e responsável, aceitará agora tão difícil missão. Qualquer pessoa é despedida por muito menos. Portugal não se sabe governar. Os portugueses não exigem muito dos seus governantes. Não percebem a diferença que há entre serem bem ou mal governados. Mudemos de governo. Apresentemos aos portugueses uma solução nacional que nos conduza ao grupo dos países europeus credíveis e empenhados num rumo de prosperidade. Insistir nesta situação é cavar a nossa própria sepultura colectiva. Não temos esse direito. Ninguém nos perdoaria, principalmente os que são jovens e têm esperança noutro Portugal. São muitas décadas de estagnação e crise. Criadas pela nossa incapacidade em promover um ritmo desenvolvimentista que dê nível europeu à qualidade de vida nacional. Portugal precisa ser europeu não só na sua geografia, mas também na ambição, produtividade e eficiência colectiva. Pertencer à Europa não chega. É preciso ser e viver como europeu.
Miguel de Sousa