Érica Rodrigues A Universidade da Madeira (UMa), publicou recentemente no seu sítio na Internet, de que encontra-se aberto o período de apresentação de candidaturas para quatro bolseiros (M/F). Posto isto, é de acrescentar que o perfil académico dos candidatos, deverá ser o oposto do leccionado pela dita instituição de ensino superior! Ora não sou eu quem o diz, é o próprio anúncio que o enuncia. É requerido, para um 'simples' estágio de modo a integrar, em exemplo, a equipa de Serviço de Consulta Psicológica, que o candidato detenha de preferência uma licenciatura em Psicologia, ramo de Psicologia Clínica, especificando o número de anos da licenciatura que deverão ser 5, portanto, pré-bolonha. Revejamos assim, de quantos anos é composta a licenciatura promovida e leccionada pela UMa: 3 anos! Destaco o perfeito desfazamento que a própria instituição de ensino superior tem entre 'o que forma' e 'o que emprega'. Não é possível, uma instituição que se diz de qualidade, inovação, que se pretende como elemento activo e integrante da comunidade, que deverá formar academicamente indivíduos também de acordo com as necessidades dessa mesma comunidade (e não só...), não é possível que dê um exemplo deste tipo, ao mercado de trabalho a que os seus alunos se propõem. É o mesmo que validar publicamente a incompetência do sistema aplicado de Bolonha em geral, e a insegurança que tem na competência dos seus próprios alunos formados nas respectivas áreas. Esta incongruência, desrespeito e descriminação para com os seus antigos alunos, actuais recém-licenciados em sistema de Bolonha, terá eventualmente que terminar. O novo primeiro ciclo, não voltará nunca atrás para um bacharelato, até porque nunca o foi! O primeiro ciclo actual corresponde a uma licenciatura e é nesse âmbito que o mercado de trabalho deverá de estar preparado a empregar os seus colaboradores. Mais acrescento, a sociedade em geral não parece reconhecer a integração do processo de Bolonha no ensino superior. Isto revê-se em pensamentos dedutivos de que uma licenciatura que outrora previa-se de 4anos, que actualmente é de 3, será porque a qualidade e competência desses formados é 'menor', e como se não fosse demais, ainda é generalizado que se trata de facilitismo. Logicamente, deverão ser desenvolvidos ensinos e sensibilizações para que a comunidade se aperceba e reconheça a importância desta mudança, que já nem é nova. O ensino superior, como é sabido, encontra-se contaminado por lobbies, ora o que não vão faltar daqui por meia dúzia de anos, serão Mestres a torto e a direito, e reconhece-se que o efeito de mercado começa a se manifestar cada vez mais, sendo que a oferta e a procura equilibram-se em termos económico-financeiros. E acho muito bem, formação mais e melhor, posto isto, não concordo com esta descriminação constante dirigida aos recém-licenciados em sistema de Bolonha (o actual sistema aplicado no ensino superior em Portugal, e na Europa em geral), chegando ao extremo de a própria instituição superior que os forma, não querer empregá-los, ou tê-los como colaboradores sequer para um estágio, dado que os certificam espontânea e publicamente como 'incompetentes', não correspondendo necessariamente à verdade.