Maria Fernanda Barroca Num país muçulmano havia numa determinada região uma comunidade católica. Tinham o seu templo e o seu pároco. Ora este reparou que todos os Domingos à hora da Missa dominical chegava um carro de luxo conduzido por um motorista e que levava um senhor de muito boa apresentação. Terminada a celebração o dito senhor retirava-se com o seu motorista e o pároco ficava intrigado pois não sabia quem era. Um dia, finda a cerimónia, o senhor foi ter com o pároco pedindo-lhe para ser admitido na comunidade católica: queria fazer tudo o que fosse necessário para receber o Baptismo. O pároco surpreendido e intrigado quis saber o que o levou a tomar tal resolução e perguntou-lhe: "Foi algo que eu disse nas minhas práticas que o demoveu?" A sua pergunta tinha em vista aproveitar a situação para assim poder proceder com outros muçulmanos em vista à sua conversão. O senhor mostrou-se um pouco hesitante na resposta, mas depois acabou por dizer: "O que me leva a tomar esta atitude é o facto do meu motorista ser cristão e eu ver o modo de vida que ele leva". Estava desvendado o mistério - a coerência de vida cristã do motorista tinha tocado o coração do patrão. Isto mostra a fecundidade do exemplo - vale mais um bom exemplo do que um milhão de sermões ou conselhos. Estamos no começo de um ano lectivo e portanto a Família está sempre a ser invocada, por ser parceiro número um no sucesso da educação. E como vimos esse sucesso deriva do bom exemplo. Não basta mandar os filhos à Missa ao domingo se os pais ficam na cama e não vão; não dá frutos aconselhar os filhos a rezar se eles nunca vêem os pais rezar; não resulta aconselhar os filhos a não ver certos filmes ou ler certos livros se eles sabem que os pais os vêem e os lêem; não adianta inculcar veracidade nos filhos se os pais são os primeiros a dizer aos filhos, face a um telefonema inoportuno: "diz que eu não estou"; não basta aconselhar sobriedade se os pais são esbanjadores, mesmo que seja em proveito dos filhos. As palavras costumam entrar nos jovens a 10 à hora por um ouvido, para sair a 100 à hora pelo outro. O exemplo, esse cala fundo, e mesmo que o filho transgrida sente que está a atraiçoar os pais, que não fazem o mal que ele está a fazer. Normalmente não devemos agir «para dar bom exemplo» - é algo que sai forçado com falta de naturalidade. O bom exemplo deve estar subjacente a uma conduta impoluta. Então podemos dizer com verdade: "Olha para o que eu digo e para o que eu faço".