Os incêndios que têm assolado a nossa Região constituem mais um rude golpe com consequências muito negativas a vários níveis e que conjugadas são altamente prejudicais para a Economia da Região e para a sustentabilidade Ambiental. A dimensão dos fogos é de facto preocupante e as áreas atingidas são muito significativas, não sendo difícil aperceber-mos-nos dos efeitos devastadores que têm causado. Bastará lembrarmo-nos das outrora belas paisagens de algumas zonas que estão agora transformadas em cenários de devastação e desolação. Para todos aqueles que vivem na nossa Região é doloroso assistirmos impotentes a estas situações, e não tenho dúvidas absolutamente algumas, que a esmagadora maioria da população nutre este sentimento. Depois da água temos agora o fogo a destruir o nosso património, não deixando de ter alguns laivos de amarga ironia as diferentes situações a que a Região foi sujeita. Enquanto uma é eminentemente de origem natural, a aluvião, temos o fogo em que, na sua génese, estão em grande parte irresponsabilidade e actos premeditados de pessoas sem escrúpulos. Independentemente de ser perfeitamente possível identificar causas que contribuíram para que os problemas resultantes destes fenómenos tenham sido potenciados, julgo, no entanto, que não é oportuno entrar em divagações especulativas para todas as situações que ocorreram. Naturalmente, esse é um exercício que terá que ser feito pelos técnicos, de forma a que sejam equacionadas e perspectivadas estratégias claras e objectivas, que permitam no futuro, minimizar as probalidades de que estes acidentes tenham a dimensão que atingiram no passado recente. Num plano mais geral, há sobretudo nesta altura, que ter uma visão realista e um sentimento de empenhamento para que se levem a cabo todas as tarefas que se impõem, sendo fundamental que o trabalho de recuperação, reconstrução e prevenção, se desenvolva de forma articulada, sem descurar o plano técnico no qual deverão estar sustentabilizadas as soluções a implementar. Mais do que nunca é determinante que a tal esmagadora maioria da população que gosta da sua terra, se una para que estas tarefas sejam levadas a bom termo, o que requer, também dos responsáveis pela operacionalização de todo o conjunto de acções a serem implementadas, envolvimento e partilha com as populações. Por outro lado, é sabido que o Turismo constitui o sector fundamental da nossa Economia e tem como principal factor de atractividade a paisagem. Há pois, factores de várias naturezas que tornam imperativo que o desafio que a Região enfrenta no âmbito dos problemas gerados com os fenómenos referidos, seja abordado de uma forma séria, competente e rigorosa. Não estarei a exagerar se disser que é o futuro da Região que está em causa e que divergimos nas nossas prioridades para subjectividades susceptíveis de gerar querelas estéreis, terá consequências cuja mensurabilidade vai muito para além de projecções, mais ou menos cientificas, de evolução de determinados indicadores macro-económicos. Nós temos, apesar de tudo, o que é determinante para projectarmos uma Região de beleza maravilhosa. As paisagens que a natureza nos concedeu mantêm-se e teremos agora que tratá-las da forma mais adequada para tudo o que foi afectado venha a ser reposto. É uma oportunidade que vai para além da reposição pura e simples, há também que encarar todo este trabalho na lógica da prevenção de riscos de forma a esbatermos as consequências que estes fenómenos venham a ter. Nestas alturas difíceis faz também todo o sentido que se reivindique mais e melhor. Possuímos o essencial para (re)construir uma Região ainda melhor e relançá-la para patamares de desenvolvimento capazes de proporcionarem níveis de qualidade de vida que as populações legitimamente anseiam.

Sílvio Costa