Segunda-feira passada foi o primeiro dia de escola para a grande maioria dos jovens estudantes madeirenses. Ansiosos e com expectativas próprias de quem começa mais um ano lectivo, na esperança de reencontrar amigos ou aumentar o seu número. Vão continuar naquelas escolas onde as cantinas têm um menu feito por nutricionistas, mas deixam abrir "fast food"(se calhar a vender álcool) mesmo à frente, como em Câmara de Lobos. Muitos foram com os pais, ou porque não sabem ir sozinhos ou porque a escola quer dar as boas vindas ao aluno e encarregado de educação. Eu fui um dos que acompanhou o filho na nova escola e gostei do que vi e ouvi. Mas não podia acreditar quando me disseram que teria de comprar folhas para que o meu educando fizesse os testes, porque a escola não teria dinheiro para fazer face a mais uma despesa. Os enunciados dos testes já não trazem espaço para os alunos escreverem e os "pequenos" agora são responsáveis pelas folhinhas onde irão mostrar os conhecimentos adquiridos. Como se já não bastasse os alunos de muitas escolas terem na lista de material as resmas de papel! E não posso acreditar que os responsáveis por esta e outras medidas que continuam a aumentar as despesas dos pais não sintam vergonha. Nem falo da Constituição que fala numa educação gratuita, essa coisa que alguém quer rever a todo o vapor mas que tenho a certeza de não pensar em rectificar a situação. Se eu fosse governante teria vergonha de contribuir com tantos milhões para os estádios de futebol que se fizeram e se vão fazendo e não ficar com dinheiro para papel e toner numa escola. Se eu fosse governante e com a pasta da educação, ter-me-ia demitido porque não teria lata de pedir dinheiro a alunos que precisam da acção social para "sobreviver", enquanto o meu (salvo seja) governo anda a promover a cultura do jazz no Garajau ou a apoiar a edição de mais um "Diogo quer ser qualquer coisa". Se eu fosse director regional da educação diria adeus ao cargo quando visse que as minhas escolas estivessem sem dinheiro para papel higiénico enquanto os autarcas se vão refastelando com banquetes e homenagens a este e aquele. Se eu fosse presidente do Governo Regional pediria a demissão exactamente depois de rogar perdão aos alunos da Madeira por ter gasto tanto dinheiro em idas a Bruxelas, em advogados do regime, em murinhos de protecção à casinha de praia, em avais a empresários falidos. Para não falar dos milhões que são "metidos" no Jornal da Madeira, que por acaso deveria mudar para Jornal do PSD. E atenção que não ponho em causa a competência das pessoas que detêm estes cargos. Por duas razões: quem sou eu para os avaliar; não os conheço o suficiente para deles fazer qualquer juízo. Mas garanto-lhes que, no seu lugar, teria vergonha e muita! Mas por alguma razão não sou governante, nem aspiro a tal. Aspiro somente a tirar esta gente que está sentada na cadeira do poder e não consegue ver que, para além dos garrotes de que são alvo e dos garrotes que aplicam, existem as pessoas. E não conseguem fazer uma gestão equilibrada para o povo, porque perderiam o suporte financeiro dos grupos empresariais, perderiam muitas das benesses que conseguiram obter porque fizeram as leis para seu benefício ou porque quando as fizeram não pensaram no cidadão que paga os seus impostos mas não ganha o que deveria ganhar. Não ataco as pessoas, mas o que fazem ou que permitem que se faça, sem justificação alguma, quando se tiram apoios sociais entre um beberete e uma jantarada, ambos pagos com dinheiro dos contribuintes que nesse momento estão a lesar. Não é à toa que o IDRAM tem 5 anos de atraso nos apoios à formação dos clubes, mas deixou construir campos de futebol sem as medidas oficiais ou piscinas sem espaço para meter blocos de partida. Será que ninguém reparou que as nossas serras estavam desprotegidas e vulneráveis aos incêndios? Será que os milhões que se vão gastar para recuperá-las não serão o dobro do que se gastaria na prevenção? Tal como no Lugar de Baixo, um estudo de um milhão não teria evitado gastos de dez? Será que alguém se responsabilizou pelo que vai custar esse conjunto de erros? Será que alguém se demite? Obviamente que não! São demasiados apegados ao poder e ao que ele proporciona. Ainda se fosse uma questão de orgulho…mas acho que ainda não sabem o que o povo pensa do orgulho deles!

Paulo Gomes