Passadas as férias, assistimos à "rentrée" das diferentes forças políticas e temos de convir que os portugueses têm razões para estar preocupados, porque não se antevêem brilhantes saídas.
Uma primeira palavra para os incêndios que afectaram, gravemente, tanto a Região como o Continente.
Infelizmente, e no que à Região diz respeito, opinam os técnicos no sentido de que a extensão da tragédia dever-se-á, em grande parte, a mão criminosa.
É confrangedor constatar que 75% da área ardida, neste Verão, na União Europeia, se situa em Portugal.
Embora haja casos de fogo posto, não é essa a causa principal dos incêndios, impondo-se trabalhar a sério, e de forma coordenada, na prevenção.
Só que o Governo não pode entrar em demagogias, como foi a ideia do Ministro da Agricultura de expropriar as terras em que os proprietários não procedam à sua periódica limpeza.
O Estado não só não tem dinheiro para nada, como falha, ele próprio, a limpeza das matas públicas.
A opção sucedânea será a distribuição de gado caprino, medida não menos ridícula do que a da oferta de telemóveis aos pastores, no tempo do Eng. Guterres!
A questão dos incêndios é demasiado grave para ser tratada neste tom de tragicomédia!
O Eng. Sócrates aí está, de novo, num frenesim mediático, cada vez mais demagógico, ignorando que a dívida pública portuguesa é, neste momento, das mais onerosas do Mundo, em termos de juros.
Registamos a mais elevada taxa de desemprego da nossa História (13,6%).
Por razões constitucionais, exactamente hoje, quando escrevo estas linhas, cessa a prerrogativa do Presidente da República de dissolver a Assembleia da República.
O Governo, que agora é minoritário, não se pode queixar da falta de cooperação do Presidente, como não se pode queixar do PSD, que, com o maior sentido de responsabilidade, viabilizou as medidas de austeridade que a grave situação do País exigia.
É tempo do Eng. Sócrates pôr termo à propaganda demagógica em que se especializou e passar a falar verdade aos portugueses.
Não é possível continuar a governar num constante ambiente eleitoralista, em que as benesses fazem com que, no presente ano orçamental, Portugal seja o único País da União Europeia em que houve agravamento da despesa pública.
Compreende-se, pois, a exigência do PSD de que a redução do défice, no próximo Orçamento, se faça, não à custa do aumento de impostos, mas sim de cortes radicais no desperdício.
O quadro em que vivemos torna evidente a importância que assume a reeleição do Prof. Cavaco Silva, como garante de estabilidade e respeitabilidade da República em, tempos do seu Centenário.
Por cá assistimos à patética apresentação de uma dita "Plataforma Política" dos partidos da oposição, da iniciativa do PS e que teve a associada presença do PND.
O PS deixou cair a máscara e ficou clara a sua conivência com as "palhaçadas" que o PND promove, designadamente nas tentativas de desacreditar a Assembleia Legislativa da Madeira.
Ficamos à espera que se juntem todos, assumindo a realidade que os tem irmanado, ao longo dos anos.
Mais claro ficará, para os madeirenses, quem está com eles e com a Autonomia e quem está do outro lado, a pactuar, com um centralismo asfixiante, que terá já um primeiro teste decisivo na Revisão Constitucional que se aproxima.
Guilherme Silva