Homem de Esquerda, de Abril e da música de intervenção, Francisco Fanhais esteve exilado, foi padre suspenso, mas nunca deixou de acreditar no sonho e na utopia. Na Madeira, a convite de Martins Júnior, para participar nos 50 anos da Paróquia da Ribeira Seca, diz que falta cumprir muito daquilo que Abril preconizou. Falta, por exemplo, cumprir o verdadeiro poder do povo, que não se esgota no voto. Sobre a Madeira e o défice democrático, diz que “as pessoas se deixam iludir por aqueles que se dizem democratas. Por aqueles que actuam e agem em nome da democracia”. Por aqueles que se dizem democratas, mas o que realmente pretendem é se manter no poder. Defende mesmo que, tanto aqui como no continente, há políticos que são apenas aparentemente populistas, mas que dificilmente estão ao serviço do povo de cuja origem se reivindicam. Francisco Fanhais manifesta-se ainda contra a presença da Igreja nas inaugurações, por considerar que tal retira espaço de manobra na denúncia das injustiças, que deve ser uma das missões proféticas dos padres. Sobre o caso do Padre Martins não tem dúvidas: a hierarquia não resolve por receio do que podem pensar as entidades públicas e políticas.