No Verão a vida não pára. Apesar de haver quem olhe para o seu umbigo, escaldado pelo Sol quente, e, confundindo-o com o Mundo, ache que tudo está parado à espera da (sua) rentrée…

Pelo contrário muita coisa acelerou neste Verão. Justiça, incêndios e putativa crise política marcaram o Verão.

1. A começar, os incêndios nas nossa serras. Uma desgraça. Depois de tudo o que já se disse e escreveu a mim, como leigo na matéria, resta-me observar que a prevenção não funcionou e, ao que parece, também o combate coordenado também não foi o mais eficaz. Que os riscos de repetição de fortes aluviões em que todos incorremos no próximo Inverno são enormes. Estamos mais vulneráveis. Que os impactos sobre o turismo são desastrosos dado que os percursos de levadas e veredas estão afectados e eles são o activo mais precioso do turismo madeirense. Que, finalmente, o debate político sobre os incêndios é lastimável. Quando se pedia responsabilidade política, humildade e sentido de auto-crítica os governantes espalham o insulto.

2. A Europa esteve (está) activa. O discurso da disciplina orçamental endureceu com a obrigação de submissão prévia dos orçamentos nacionais à Comissão Europeia. Perda de soberania? Sem dúvida, como já aconteceu com a adopção de uma Moeda Única. Apenas mais um passo na construção europeia… que não é só direitos e transferências financeiras mas também responsabilidades e deveres. Também endureceu o discurso securitário com a França e vários outros países a expulsarem cidadãos estrangeiros. O laxismo e a impotência democrática na abordagem aos problemas da segurança e das migrações acabam sempre, mais cedo ou mais tarde, em respostas duras à direita em geral com a anuência das opiniões públicas nacionais.

3. Ainda na Europa, os problemas na formação de governos em países centrais como a Holanda e a Bélgica devem fazer-nos reflectir. Desde o início de Junho (!) ambos os países estão à procura dos acordos partidários necessários à formação de governo. O populismo e a divisão sectária entre povos ou ideologias, num mesmo país, são dramáticos (como se viu nos Balcãs) ou, com menos dramatismo, têm sérias repercussões na governação (como se vê na Holanda e na Bélgica). Para países, como Portugal, onde por vezes se fala de federalismo e de regionalização administrativa, estes exemplos dão que pensar. É por razões destas (e outras) que a população vota 'não' quando consultada, em referendos, sobre regionalização.

4. Finalmente dois momentos de excelência. Primeiro, a magnífica exposição deste Verão/Outono, na Casa das Mudas, de peças da colecção Berardo sobre Arte Déco. É um privilégio poder ver na Madeira uma tão bela amostra da arte esplendorosa do princípio de Século XX. Fico com a sensação de um muito insuficiente aproveitamento turístico de uma exposição de nível internacional. Segundo, a também magnífica exposição sobre o Centenário da República na Cordoaria, em Lisboa. É altamente pedagógica uma visita à exposição. Os alunos madeirenses deveriam poder visitar a exposição. Aprende-se a nossa história e compreende-se melhor a actualidade. Percebe-se bem porque a I República tinha mesmo que desembocar na autoritarismo do Estado Novo. E vê-se que a nossa II República aprendeu com alguns erros históricos daqueles antepassados recentes. Mas há erros que se repetem… Uma saudação para a presença da Madeira na exposição com a Revolta de 1931 e com os Roteiros Republicanos, de Rui Carita.

5. Para acabar o Verão/Outono só faltava agora uma greve de polícias por altura da Cimeira da Nato, em Lisboa. Poucos momentos são tão críticos, do ponto de vista da segurança, como esta Cimeira que reúne de Obama a Angela Merkel, de Zapatero a Sarkozy... Deve andar tudo louco!

6. O tema Justiça (queima… que nem um incêndio de Verão) fica para mais tarde... O OE e a crise política também…

Maximiano Martins