José Edgar Da Silva Todas as coisas têm felizmente, principio, meio e fim, algumas, podemos adiar o fim, mas nessa altura, a agonia e o definhar lentamente que exige esse retardamento do inevitável fim, é uma opção a considerar seriamente; uma vez que o fim, nos concede finalmente a libertação de um árduo fardo, que inconscientemente nos andou a limitar a liberdade e a nos esquecer verdadeiramente de viver e de deixar viver, os outros; sim porque na política, as acções de alguns podem repercutir-se na vida de muitos, quiçá de milhões. Aqui o maior problema, são acções e decisões erradas, opções egoístas e de carácter rancoroso, visando mais o bem-estar de poucos, parasitas de uma governação para elites, espremendo e infectando toda uma sociedade, que nas malhas de uma democracia, cada vez mais se torna uma rede de pequenos e disfarçados monopólios, de pequenas e mascaradas ditaduras num jogo de partidos, cuja dualidade lhes permite as maiores aberrações: o que tem graça é que afirmam e juram a "pés juntos" que tudo o que fazem é pelo povo. Mas o odor pútrido, fecal, fétido desta nossa democracia, que provoca desmaios e fugas, permite também, talvez pela libertação de genéricos do gás metano, uma anestesia e um marasmo estuporado, nos eleitores, inibindo a capacidade de pensar e agir, adoptando comportamentos de "uma carneirada subjugada", que não liga a desvios de 4 mil milhões de euros, no recente caso do BPN, que já nem se lembra dos milhões injectados pelo erário publico para cobrir desvarios ou desvios de outrem, que esquece uns "Loureiros", conselheiros de eleitos do Boliqueime á mais elevada magistratura da nação, que matam o seu tempo derretendo tacos de golfe em paraísos onde são empresários, reis e senhores. Mas o povo distraído e muito preocupado com os fogos, com os azares do Benfica, do marítimo, com os impostos, com o desemprego, com os ataques ao estado social, esquece com uma facilidade, ajudada por festas partidárias, comícios e beberetes inflamados de discursos e verborreia incendiaria, alimentados por líquidos em honra de Baco o Deus das videiras, uvas e vinhos, esquece, dizia, das borradas e das roubalheiras perpetuadas por muitos, ocupados mais em consolidar a sua vidinha futura, que em governar ou proteger aquilo que é publico e de todos os cidadãos, dando prioridades aos dinheiros dos contribuintes dúbias e de um egoísmo sórdido numa horrorosa orgia própria de um estado decadente habituado ao poder, e à sua podridão: é a decomposição moral, ética, é o apodrecimento da honra, a corrosão da lealdade, de gente que se habitou ao poder em demasia, etilizados pelo contínuo jogo de mandar e ressacados eternamente pela habituação, cujos efeitos da abstinência e privação os fazem continuamente insistir em continuar, acumulando mandatos e asneiradas próprias de mentes aprisionadas e viciadas. Enquanto isso ataca-se as profissões, as carreiras profissionais, os funcionários públicos, os miseráveis e os desgraçados, aumentam-se desalmadamente impostos directos e indirectos, criam-se verdadeiros empresários com privatizações ao estilo da antiga URSS, delapida-se o estado social a favor de reformas e mordomias, para governantes e eleitos, ataca-se a saúde, a justiça, a educação, rebenta-se com tudo em nome de uma crise e de uma poupança aplicada apenas ao povo e aos mais fracos, e ainda por cima temos de aturar estes tipos em comícios e tvs, com falinhas mansas, á caça do voto, do voto dos que votam e que votam por votar: O poder está podre, e só votar bem pode no futuro fazer da podridão nascer uma semente que dê um fruto em que valha a pena votar e confiar, num cidadão não vendido e rendido a um partido, mas entregue e rendido ao povo que o escolheu.