Isabel Cardoso Em tempo de crise económica e social, com o constante agravamento das já de si sempre difíceis condições de vida de tantas famílias madeirenses, "negociar taco a taco" a solicitação de reunião de uma chamada Comissão Permanente parece esdrúxula e um insulto para quem nem ao luxo de umas verdadeiras férias de preocupações se pode dar. Mas vamos ao que interessa: mais uma vez a maioria do PSD recusou reunir a Comissão que substitui o plenário da Assembleia Legislativa neste mês de Agosto, a Comissão Permanente, a pretexto de que não há assuntos suficientemente "sérios" que o justifiquem. "Empurra-se então com a barriga" até Setembro, um problema que neste momento já provoca grandes angústias pessoais e familiares aos milhares de docentes contratados que durante os últimos anos serviram as escolas da nossa região e agora enfrentam a perspectiva de desemprego no próximo ano escolar. "Empurra-se com a barriga" a necessária análise e discussão política pelo órgão de poder próprio que é a Assembleia, desta completa e súbita inversão das políticas do governo regional em matéria de Educação que com uma justificação meramente economicista e irresponsável põe em risco a qualidade de um serviço que tem de responder às complexas realidades da nossa sociedade e apostar na Educação e Formação das crianças e jovens como a mais-valia fundamental com vista ao desenvolvimento e ao progresso de uma região que não consegue sair de uma crise de natureza estrutural. A dispensa destes docentes, a par das medidas de alteração da acção social escolar, das reduções drásticas do financiamento das escolas e da aplicação cega de mais encargos financeiros às famílias conduzirão a um desastre social de consequências imprevisíveis e a tomada de posição em relação a estas opções do governo regional cabem plenamente pela sua dimensão social, política e económica nas funções de uma Assembleia que não pode "encerrar para férias" e que deve exercer integralmente as competências que lhe estão atribuídas pela lei. Os cidadãos e as famílias madeirenses e porto-santenses continuam todos os dias sem excepção a enfrentar os problemas que nunca mas nunca "encerram para férias".